30/06/16

Minha irmã foi assassinada mas não quer calar a boca.

Quando éramos crianças, minha irmã Cassie e eu não sabíamos que éramos diferentes. Como poderíamos? Passávamos o tempo todo dentro de casa. Nossos pais nunca nos deixavam brincar na rua. Diziam que era para nossa proteção. Lembro claramente de meu pai recitando todos os horrores do mundo que aconteciam do outro lado da nossa porta. "Animais viciosos, homens perigosos, doenças mortais." Todo dia ele trazia uma nova razão para não nos aventurarmos fora das paredes de nossa casa. Entendi a verdade muito mais tarde; eles tinham vergonha da gente. 

Cassie e eu éramos muito próximas, tanto metaforicamente quanto literalmente. Passávamos todo o tempo juntas. Eu li que irmãos gêmeos geralmente são assim, mas éramos além. Acordávamos no mesmo horário e fechávamos nossos olhos para dormir no mesmo momento. Com frequência tínhamos o mesmo sonho. Líamos livros juntas (ela lia as páginas da esquerda, eu da direita). Nossos pais diziam que éramos juntas além do normal. Isso não fazia nenhum sentido para nós naquela época. 

Quando brincávamos, juntávamos dois brinquedos juntos pela cabeça, usando fita adesiva transparente por cima dos rostos. Mas ainda usávamos o brinquedo juntas - Cassie movimentando as pernas da esquerda e eu as da direita. Logo, todos nossos brinquedos estavam conectados em pares. O porquinho de pelúcia estava grudado ao jacaré. A boneca chinesa junta com o dinossauro de plástico. Cassie e eu até fomos longe demais quando grudando nossos travesseiros juntos. "Para que eles não se sintam solitário," falei para nossa mãe que ficou chocada. 

Fora a nossa ligação, Cassie e eu eu éramos muito diferentes. Eu não tinha problemas em aceitar e seguir as regras de nossos pais, mesmo essas sendo abundantes. Cassie, por outro lado, odiava as regras. Mesmo as pequenas, como ter que escovar os dentes antes de ir para a cama a deixavam muito brava. Eu gostava dos vestidos que mamãe fazia para mim, mas Cassie os rasgava com os dentes. Cassie era não-verbal, também. Não que fosse sua culpa. Ela só não conseguia movimentar a boca do jeito que todos podemos. Isso não significa que não nos comunicávamos. Na verdade, eu e ela conversávamos constantemente. Sempre pela mente.

Eca, eu odeio banana, ela falava enquanto nossa mãe nos servia café da manhã.

Cala a boca, Cassie. Eu me virava para mamãe, sorria e dizia "Obrigada pelo café da manhã!"

Cassie rosnava por entre sua respiração. Você é uma puxa-saco. Somos prisioneiras aqui e você os trata como Deuses. 

São nossos pais! Mamãe podia notar que estávamos discutindo em nossa cabeça. Mas nunca comentava sobre. Acho que não tinha vontade de saber o que rolava entre nós duas.  

Quando éramos novas, notei que eu e Cassie não nos parecíamos com as crianças nos livros ilustrados. As crianças eram sozinhas. Mas eu e Cassie estávamos sempre juntas. Perguntei sobre para papai e ele falou que tínhamos nascido com uma patologia. "Vocês estão doentes," disse severamente. "Mas os médicos não podem separar vocês. Iria matá-la."

Ele adoraria me ver morta, Cassie sussurrou na nossa mente. 

Claro que não! Ele te ama!

Mas ele não amava. Eu sabia disso em segredo. Nossos pais não faziam questão de esconder o fato que me favoreciam. Viam Cassie como um peso morto. E enquanto íamos envelhecendo, tenho que admitir que comecei a entender a opinião deles. Ela era difícil de lidar. Estava sempre chateada com alguma coisa. Além do mais, ela era o motivo de eu não puder sair de casa ou ter amigos.

Quando fizemos 12 anos, nossos pais começaram a nos deixar a usar o computador. Supostamente, só podíamos estudar nele, mas quando ficávamos sozinhas, sempre tentávamos usar o google para nos achar. "Gêmeas que compartilham cérebro." O primeiro artigo era sobre gêmeos que haviam devorado um ao outro dentro do útero. Claramente isso não era relevante. O segundo era sobre gêmeos Siameses. Pulamos esse porque nós éramos americanas, óbvio. Então chegamos ao terceiro, o qual acompanhava uma foto – duas mulheres adultas que compartilhavam a mesma cabeça. Uma era grande e outra pequena. Parecia um pouco comigo e com Cassie. O artigo mencionava-as como "gêmeas xifópagas". Dizia que, apesar delas quererem se separar, os médicos achavam arriscado demais.

Somos nós, falei para ela.

Por que alguém ia querer se separar? Me respondeu.

Talvez para se parecerem com pessoas normais. 

Eu prefiro muito mais ficar com você do que parecer normal. 

Eu fiz uma pausa antes de falar, eu também, Cassie. 

Mas isso foi antes do assassinato de Cassie.

Ela morreu sufocada. Tínhamos quatorze anos. Eu soube o momento exato em que ela parou de respirar. Senti um arrepio correndo por todo meu corpo como se algo estivesse se rastejando por de baixo dos meus nervos. Comecei a gritar. Eu não queria, mas a reação foi involuntária. Talvez fosse Cassie gritando por mim. Minha mãe apareceu no quarto no mesmo instante, como se já estivesse lá dentro. Meu pai logo atrás. 

Eles nos levaram... me levaram para o hospital as pressas. Foi a primeira vez que senti a brisa da noite em meu rosto. Todo e qualquer medo de sair para a rua evaporou. Era a liberdade. Vi homens e mulheres de diferentes raças. Eles se juntaram em minha volta, me olhando como animais selvagens. Não me importei. Era uma benção. Eu até tinha esquecido do corpo morto de minha irmã pendurado em mim. 

Ninguém tentou ressuscitar Cassie. Mesmo que eu já soubesse que ela estava morta, não houve tentativas para salvar sua vida. A única coisa que o médico fez foi me preparar para a cirurgia. Papai e mamãe acariciavam meu cabelo. Falaram que me amavam, que logo isso tudo acabaria, que os médicos iram remover o tumor.

O tumor era minha irmã.

Acordei algum tempo depois com a sensação mais estranha de peso aliviado. Meus olhos mal estavam abertos, mas pude ver meus pais adormecidos em um sofá próximo. Eu estava conectada a diversas máquinas. Olhei para o lado e percebi que estava sozinha. A sensação conhecida do corpo de Cassie ao meu lado não existia mais. Logicamente, eu sabia o que tinha acontecido. Cassie morreu, então eles a removeram de mim. Mas o choque de não a ter do meu lado fez com que meu coração disparasse. A coisa que eu mais queria, que desejara em silêncio, era aterrorizante.

Me recostei de volta e mexi a cabeça de um lado para o outro. Era tão estranho poder me mover livremente. Não havia um corpo extra para me atrapalhar. Devaneei sobre onde estaria o cadáver dela. Será que ela estava sozinha? Será que eu estava sozinha? Estiquei minha mão e hesitantemente toquei o curativo em cima da carne que antes me conectava com Cassie. Lo seu lugar havia uma enorme cicatriz e vários pontos. Tudo que sobrou da minha irmã fora o vazio.

Não parecia real. Eu só estava consciente faziam poucos minutos e o pânico já tomava conta de mim. Aquilo tinha sido um erro. O que aconteceu com Cassie? Onde ela estava? Eu precisava dela. Desesperadamente, sussurrei: "Cassie? Você está aí?"

Um minuto se passou. Silêncio.

Então uma  onde de gritos tomaram conta do meu cérebro. Era a voz de Cassie, incendiando minha mente com gritos horripilantes. Meus olhos ficaram arregalados. A voz de Cassie começou a falar entre os gritos, Eles me mataram! Eles me mataram! Eles me mataram!

"Cala a boca!" Eu gritei. Meus pais se acordaram. Só então percebi que tinha falado em voz alta. Eles vieram em minha direção, tentando acalmar meus medos. Mas enquanto isso, Cassie me atormentava. Eles me assassinaram! 

Tentei não responder a voz. Mas não importava. Cassie não ligava se eu respondia ou não. Por dias a fio ela ficou apenas lamentando sua morte. Enquanto os médicos me ensinavam a levantar e andar sem Cassie, ela continuava a falar sem parar. Eu fingia que tudo estava bem, mas a voz estava acabando com minha sanidade mental. Eu não conseguia dormir. Toda vez que eu fechava os olhos ela começava novamente, Foram eles. Nossos pais malditos. Eles colocaram um travesseiro na minha cara e me mataram. 

Não contei para ninguém sobre a voz. Quem entenderia? Logo recebi alta para ir para casa. Meus pais tinham dado um jeito para eu começar a ir à escola normal. Compraram uma peruca para mim cobrir a cicatriz desfigurada. Todas as portas agora estavam destrancadas para mim. Não havia mais necessidade de me esconder. Eu devia me sentir nos céus, mas ao invés disso a voz da minha irmã continuava a me assombrar. Morta. Estou morta. Eles me mataram. 

Meses se passaram com a mesma existência agonizante. Eu perdi peso. Dormia muito pouco. Nada me trazia felicidade. Cassie estava lentamente me deixando louca. Não sabia se era minha imaginação ou se Cassie realmente estava de certa forma viva no meu cérebro, mas um dia decidi que já era o suficiente. Eu não podia mais aguentar aquilo. 

Eles me mataram. Nossos pais me assassinaram, Cassie gemia nos meus tímpanos. 

Eu respirei fundo e disse, "Cassie, você tem que parar." Coloque minha mão sobre a boca. Eu não tinha falado na minha mente. Só em voz alta. Tentei de novo, "Pare, Cassie." Desesperadamente, enfiei a mão na boca para tentar não falar em voz alta. Mas nada aconteceu. Minha habilidade de falar com minha irmã pela mente tinha morrido junto com ela.

Eu me rastejei até um canto do meu quarto, colocando os braços sobre a cabeça. Comecei a chorar. Ondas de terror e tristeza corriam pelo meu corpo. Cassie continuava a gritar e gritar. Nossos pais são mostros terríveis. Eles me assassinaram para terem uma filha normal. Eles me sufocaram com um travesseiro. Eles- 

"ELES NÃO TE MATARAM! EU MATEI!" Berrei. A voz de Cassie parou de repente. Minhas lágrimas escorriam pelas bochechas. Com um sussurro, continuei, "Eu não podia viver mais daquele jeito. Eu queria ser normal." Eu ainda podia sentir o peso do travesseiro que coloquei no rosto de Cassie. Eu lembrava de seus gemidos, apelos por ajuda. Eu ainda podia sentir as mãos dela procurando por mim. 

Então algo mudou. Me senti tonta e olhei para o meu próprio corpo. Parecia que eu estava flutuando para longe de mim mesma. Meu ser começou a diminuir. Senti meus braços e pernas sendo repuxados, depois meu torso e finalmente eu estava de volta no meu cérebro. Eu era uma bolinha escondida em algum lugar profundo da minha mente. Meu braço se levantou lentamente. Meu braço? O braço dela?

Minha voz soou em voz alta, mas não era eu que falava. "Finalmente você admitiu."

Aterrorizada, tentei falar, O que está acontecendo? Mas era apenas na minha mente. Nossa mente?

"Só porque você matou meu corpo não quer dizer que não compartilhamos mais o mesmo cérebro." Minha voz saiu rouca. "Eu estava esperando você fazer isso. Sabia que faria. Você é igualzinha nossos pais. Monstros nojentos e sujos. Mas eu sempre fui mais forte e mais esperta que você. Você matou meu corpo, mas quem tem controle sobre o cérebro sou eu."

Cassie fez meu corpo se levantar, fazendo meus membros tremerem. Desesperadamente tentei tomar o controle, mas estava certa – ela era mais forte que eu. "É estranho poder falar," ela falou em voz alta. "Estou gostando muito mais do que achei que gostaria."

O que você vai fazer?

"Eu vou me tornar você. A mais bonita, a desejada por nossos pais. E então eu vou matá-los. Talvez eu costure as cabeças deles bem juntinhas. Lembra quando odiavam quando fazíamos isso com nossos brinquedos? E a melhor parte é que eu ainda vou ter você, presa no fundo do meu cérebro." Ela riu. "Eu sempre falei que nunca iriamos nos separar." 

Isso foi a sete anos atrás. Nossos pais já estão mortos a muito tempo. Ela nunca cumpriu a promessa de costurar a cabeça deles. Ao invés disso, usou nossos travesseiros colados para sufocar os dois de uma vez só. Eu tive que assistir, sem poder fazer nada. Eram minhas mãos cobrindo suas bocas, assim como fiz com Cassie.

Você deve estar se perguntando o motivo dela ter deixado eu escrever isso. Esse texto é minha confissão. Uma das formas que arranjou para me atormentar. Cassie permite que eu tenha alguns minutos controlando o corpo, me dando um gostinho da liberdade antes de tirar de mim novamente. 

Eu devia ter desconfiado que nunca conseguiria me livrar dela. Ela é uma parte de mim. E agora estou presa. Para sempre.

Eu queria nunca ter assassinado minha irmã. Mas ela parece feliz que o fiz.


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29/06/16

Histórias de um entregador de pizza (PARTE 2)



Antes que eu comece a falar sobre outras coisas estranhas que aconteceram durante minha carreira de entregador, acho melhor explicar melhor algumas coisas.

Sobre as entregas serem até 50km de distância: o gerente do restaurante cobra uma taxa adicional para pessoas que moram muito longe. Se você está a 50 km da nossa filial, por exemplo, vai custar 20 dólares extras (que a maior parte vai para mim, o resto para o restaurante). Pode parecer um preço bastante salgado, mas acredite em mim, algumas pessoas pagam. Também temos bolsas térmicas especiais para que as pizzas ainda estejam quentes na entrega.

Sobre entrar na casa das pessoas: meu gerente permite, se for de forma discreta. Se achamos que está tudo bem, temos permissão para o fazer. Para alguns clientes frequentes, principalmente os acamados, sair da cama para atender a porta pode ser uma tarefa árdua. E além do mais, levar a pizza até eles na cama geralmente significa ganhar uma gorjeta maior, então por que não?

Muitas pessoas comentaram que ficaram desapontadas comigo por eu não ter tido coragem de entrar na casa que eu contei na outra postagem, mas é o seguinte: Eu estava com medo, aterrorizado de verdade. Independente da quantia de gorjeta que eu ganharia para ir lá em cima, não me pareceu valer a pena me por a tal risco.

Mas deixando isso de lado, eu adoraria contar para vocês outras coisas bizarras que acontecem comigo quase que diariamente. Não sei se os entregadores de outros lugares do mundo sofrem dos mesmos problemas, mas aqui no norte do Canadá tem algumas coisas bem questionáveis e assustadoras acontecendo. Não me considero supersticioso de nenhuma maneira, mas já vi coisas que não consigo explicar. Antes que alguém venha comentar que sou o único que presencia esse tipo de coisa, já deixo claro que isso não é verdade. Eu e outros entregadores nos encontramos algumas vezes depois do expediente em um bar para conversar, e alguns deles ficaram bastante chocados com coisas que presenciaram. Tem um cara que leva consigo uma lamparina dentro do carro nos turnos da noite porque tem muito medo do escuro depois que alguma coisa (que ele não quer falar sobre) aconteceu durante uma entrega. Essas coisas que rolam são dolorosamente reais, e isso está nos enlouquecendo.

Em dezembro do ano passado, eu estava trabalhando no turno da madrugada (10pm - 05am) e minha área de entrega era em sua maioria nos limites da cidade junto do pé da montanha mais ao norte. Como era dezembro e estamos no Canadá, tinha pelo menos uns 15 centímetros de neve fresca nas ruas e apenas as auto-estradas e ruas principais estavam limpas de verdade. Dirigir em outras estradas era quase suicídio se você não tivesse um carro potente e experiência. Para minha sorte, dirijo um carro AWD, com pneus com pregos e correntes para o caso de estradas com muita neve, e também sou um dos motoristas mais antigos da companhia. Sendo o único com um carro AWD, me pediram para fazer uma entrega quase no limite, mais ou menos a 45km do restaurante. Como o tempo estava uma merda, liguei para o número do cliente para confirmar o endereço e se eles ainda queriam a pizza. Recebendo um OK do que parecia ser uma senhora de idade muito contente, eu me joguei na estrada (não sem antes parar para um cafézinho, claro!). 

Assim que sai dos limites da cidade, percebi algo alarmante: Todas as luzes, incluindo as dos postes estavam desligadas. Supondo que era uma queda de energia por causa da tempestade, liguei para o celular do meu chefe para confirmar. Confirmando que a região realmente tinha sofrido com a queda de energia, tentei ligar para a senhora que receberia a pizza. Tentando amaciá-la para receber uma gorjeta boa, tentei ser o mais simpático possível. "Olá, aqui é o seu entregador de pizza. Percebi que houve uma queda de luz e queria saber se você ainda quer a pizza mesmo nessas condições horríveis de tempo!" A velhinha respondeu, " Meu Deus, querido, não achei que você viria entregar mais! O seu atendimento e da *nome do restaurante* são realmente excelente! Se você conseguir chegar até aqui, com certeza irei te recompensar. Minha casa está ligada por um gerador, então você vai encontrar com facilidade. Por favor, leve o tempo que precisar, não dirija rápido nesse tempo horrível!" 

Sabendo que eu tinha pescado uma boa gorjeta, liguei o pisca-alerta e continuei pela auto-estrada. Uma coisa que vocês tem que entender era a escuridão que estava. Já passando da meia-noite e sem nenhuma luz em volta, a única coisa que gerava iluminação ali era os faróis dianteiros do carro. E pra melhorar, nevava pesadamente. Para referencia, o meu campo de visão era igualzinho a essa foto que estou anexando abaixo. Se meu carro morresse, ou se meus faróis estragassem, eu estaria completamente fodido. Por sorte, nada disso aconteceu, mas algo muito pior.


Depois de uns 10km em uma estrada provavelmente de terra coberta de de neve no meio do nada, passei por um carro parado no acostamento com o pisca-alerta ligado. O carro estava em diagonal na estrada, e pelos rastros deixado na neve, pude perceber que ele tinha tentado parar abruptamente e perdido o controle. Deixando meu pisca também ligado, e tentei inspecionar a cena. Estando mais ou menos a uns 20 metros do outro carro, não consegui ver nenhum sinal de vida, e notei que a porta do carro do motorista estava escancarada com neve se acumulando dentro. O que mais me deixou alarmado é que eu pudia ver uma mancha na janela que parecia sangue. Havia um tanto no voltante também. 

Dava pra ver que tinha acontecido um acidente bastante brutal ali, sendo que havia sangue por todo o acento do motorista. Meu primeiro instinto foi ligar para a polícia, informar o acidente e chamar uma ambulância. Pegando meu celular, a coisa mais clichê do mundo aconteceu: não havia sinal. "É óbvio que não tem sinal aqui," gritei. "estou na porra do meio no nada!" 

Depois desse pequeno surto, tentei ver se os rastros no chão me levariam até a pessoa ferida. Nessa hora eu já havia esquecido completamente da entrega e estava mais inclinado a ajudar seja lá quem fosse que tivesse se machucado ali naquele fim do mundo. As chances de outro carro passar por ali naquela hora eram mínimas, então eu era obrigado a ajudar. Usando minhas habilidades investigativas de entregador e consegui deduzir duas coisas:

  1. Essa pessoa tinha batido em algo realmente grande, tipo um alce ou um urso adulto. A frente do carro dele estava toda amassada para dentro e as rodas apontavam uma para cada direção. Não tinha como essa coisa ter ido muito longe. Por experiência própria, eu não conseguia pensar em nada que causaria um estrago tão grande assim em um carro.
  2. Vendo uma pequena trilha de sangue na neve da estrada, pressupus que ele tinha ido procurar ajuda a pé. 
Foi aí que cometi meu primeiro erro: Eu segui a trilha de sangue a pé. Querendo bancar o herói, me agasalhei e saí na tempestade com uma pequena lanterna de LED que iluminava quase decentemente. A essa altura eu já nem estava mais preocupado com minha segurança. Depois de cinco minutos de caminhada, percebi o quanto estava fodido quando um pensamento correu pela minha cabeça:

E se a coisa que o motorista atropelou estivesse ainda por aqui?

Julgando pelos estragos no carro, eu só podia supor que ele havia atropelado um urso-pardo ou algo desconhecido ainda maior. Lidar com um animal ferido no meio de uma tempestade de inverno não era algo que meu pagamento cobria. Depois de um momento de clareza, decidi que a melhor coisa a se fazer era voltar para o meu carro e continuar tentando ligar para a polícia. Eu não tinha dado nem dez passos de volta para o meu carro quando ouvi um barulho que parecia que uma árvore inteira tinha sido arrancada do chão. O som foi ensurdecedor e me deixou totalmente em pânico. Comecei a correr de volta para o carro mas minhas pernas não pareciam corresponder à minha vontade. Depois de dar um cinco passos rápidos, eu me fodi, com força. Tropecei e cai de cara na neve e fiquei lá, tentando me recompor.

Estava prestes a me levantar quando ouvi novamente. Ouvi o que parecia ser um respirar pesado que vinha de algum lugar fora do meu campo de visão. Pra melhorar, o barulho vinha da direção onde meu carro estava e onde havia acontecido o acidente. Nesse momento eu já sabia que havia algo de muito errado ali. O respirar parecia muito mais animalesco do que humano, e claro, muito mais alto do que de uma pessoa pode fazer. Cagado de medo, literalmente não conseguia me mexer da neve. Depois do que pareceu ser uma eternidade, o respirar começou a ficar mais alto... e mais alto... até que eu pude ver o que estava fazendo aquele barulho terrível. Seja lá o que era aquela coisa, mas de pé tinha pelo menos dois metros e meio de altura. Sim, você está lendo certo. A desgraça estava de pé. Estava correndo em duas patas, mas a cada poucos passos ele caia e começava a correr como um urso. Em quatro patas, tinha um galope que me lembrava exatamente da corrida de um urso, mas depois se levantava e começava a correr como um ser humano. Era coberto de pelos brancos e grossos, seria impossível vê-lo contra a neve branca se não estivesse coberto de sangue.

Se aquele sangue era dele próprio ou do motorista do carro, não fiquei por lá para saber. A coisa parecia estar distraída de mais para me ver, e passou por mim correndo pela a estrada, ofegando mais do que nunca. Depois de mais ou menos uns 10 minutos, me forcei a levantar do meu morro de neve e corri até o meu carro. Quando cheguei até ele, as quatro portas estavam abertas e as caixas de pizzas estavam todas abertas e jogadas na estrada. Sem pensar nas pizzas ou na entrega, dirigi direto para a delegacia mais próxima para relatar o que havia visto.

Oficialmente, o relatório diz que o motorista colidiu com um urso grande e que esse urso o arrastou para a floresta e o devorou. Nunca acharam o corpo do motorista, mas encontraram o que parecia ser um pedaço de sua espinha dorsal a mais de 80 km de onde o acidente aconteceu. Foi um assunto pesado na nossa cidade, todos passamos dias procurando por ele. Aparentemente o cara era primo de segundo graus da senhora a qual eu deveria ter entregue a pizza. Essa parte não me surpreendeu, geralmente a galera que mora no interior sempre tem um grau de parentesco. O que me deixou realmente chocado é que os policiais e outros agentes mataram todos os ursos dentro de 50km da área do acidente e examinaram o conteúdo de seus estômagos. Nenhum dos ursos tinha resquícios de carne humana em suas entranhas e, segundo o relatório, os estragos da feitos só podem ter sido feitos por um urso grande. Aquela coisa que atacou o motorista ainda está solta por aí, e espero que e não cruze com ele de novo.

Se vocês curtirem e comentarem essa história, posso tentar reunir alguns dos meus amigos entregadores e relatar algumas histórias que aconteceram com eles. Se não, ainda tenho para contar algumas coisas bizarras que aconteceram comigo. Claro, só se vocês quiserem.

Não esqueça de dar gorjetas ao seus entregadores,
--T

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27/06/16

Histórias de um entregador de pizza (PARTE 1)


Se a companhia para quem trabalho descobrir que estou escrevendo isso, tenho certeza que eu seria demitido imediatamente, então essa é a razão do texto estar intencionalmente vago. 

Meu nome é T e sou entregador de pizza em uma cidadezinha de interior ao norte do Canadá. Estou escrevendo isso aqui logo após terminar meu turno e também estou todo cagado de medo, então perdoe meus erros de digitação. A cidade rural na qual faço entregas tem aproximadamente 25 mil pessoas espalhadas ao longo do sopé de uma enorme montanha. Muitos dos moradores aqui são fazendeiros, lenhadores, e coisas desse tipo. Temos uma pequena universidade aqui, então estudantes de outras cidades estão morando aqui também. Ao contrário da maioria das pizzarias com tele-entrega, a que eu trabalho permite que você peça uma pizza mesmo estando fora da cidade, contanto que esteja dentro dos 50 km de distância estipulados pela companhia. Nosso restaurante faz isso porque muitos dos moradores moram em suas fazendas que ficam fora do limite da cidade. Obviamente, isso faz com que eu e os outros entregadores fiquemos longe da matriz por períodos longos de tempo. Durante entregas distantes, não é esperado que voltemos por pelo menos uma hora, então só depois disso que nosso chefe nos ligava para ver se está tudo bem. E pra melhorar, ficamos abertos até as 5 da manhã todos os dias. Essa combinação de variáveis fez com que eu fosse testemunha de diversas coisas bizarras e assustadoras durante meus anos de trabalho lá. Nunca contei para ninguém sobre; mas depois do turno de hoje, preciso tirar isso do peito. Estou quase certo que por pouco não fui assassinado nesta noite.

A noite de hoje começou como todas as noites de terça-feira: Eu estava recebendo uma miséria de gorjetas e me tornando cada vez mais depressivo a respeito da minha carreira como moto-boy. Naquele dia eu já tinha feito diversas entregas fora de área para aqueles malditos caipiras que não me deram nem moedas de gorjeta. Quando o computador da loja apitou informando que havia uma nova tele-entrega, já tinha certeza que seria fora de área. Obviamente, era uma casa que nunca tinha feito pedido antes que ficava a exatamente 50 quilômetros do nosso ponto. Bastante irritado, olhei o alerta de pedido especial e me senti um pouquinho melhor:

"GRANDE GORJETA SE AS SEGUINTES INSTRUÇÕES FOREM CUMPRIDAS: Leve a pizza para dentro da casa no quarto do segundo andar, a porta estará destrancada." Instruções como essas não são raras, algumas pessoas são preguiçosas pra caramba. Emocionado que finalmente receberia uma gorjeta decente, sai de lá em velocidade recorde com o carro. Eu nem se quer parei para tomar um café, como geralmente faço durante essas viagens longas.

Depois de dirigir cerca de 25 minutos por uma estrada de terra, cheguei no que meu GPS indicava como sendo o endereço correto. Eu não vi nenhuma casa ao redor por pelo menos 5 Km dali, mas novamente, isso não é incomum no interior. Estacionando na frente da casa, percebi que as paredes da casa estavam bastante detonadas. Da estrada parecia normal, mas quando cheguei perto eu pude perceber que ninguém morava lá fazia um bom tempo. A casa tinha dois andares, com um telhado faltando algumas telhas e várias janelas quebradas. E pra melhorar, a porta da frente não estava lá nem para contar história. 

"Destrancada é o caralho," sussurrei para mim mesmo enquanto abria a porta do meu carro e andava até o outro lado do carro para pegar a caixa de pizza. Enquanto eu fazia isso ouvi um barulho que fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem. Da janela do segundo andar na extrema esquerda, na qual ficava o quarto que eu deveria ir segundo as instruções do cliente, eu pude ouvir uma risada baixa. Mas o que me deixou todo cagado e que não era uma risada normal do tipo achei-alguma-coisa-muito engraçada. O único jeito que consigo descrever é que parecia que alguém que nunca tinha ouvido uma risada na vida estivesse tentando imitar uma risada de verdade. Parecia tão... falsa. Era um longo "haaaaaaaaaaaaa" seguido por um "HA" curto e alto. Tudo naquela risada era estranho.

Todo borrado de medo, eu fui até a porta e soltei um "olá?" fraco. Não importava o quanto eu tentasse, aquele som bizarro não saia da minha cabeça. Depois de esperar 30 segundos, ouvi uma resposta: "Estou faminto, venha logo." Garanto que lendo você ache essa frase bastante inofensiva, mas o jeito que seja lá o que estava lá em cima falou, fez com que eu começasse a entrar em pânico só de pensar em entrar na casa. O jeito que a frase foi dita foi tão inumana e tão errada, o ritmo da fala estava descompassado e parecia muito tenso. Não preciso dizer que não fiquei lá para descobrir quem estava no segundo andar. Derrubei a pizza no chão e sai correndo o mais rápido que um ser humano pode correr. Apesar de estar escrevendo isso agora na segurança de minha casa, ainda estou tenso e com muito medo.

O que você acha que era? Sou um cagão por não ter subido lá, e provavelmente era só um  velho gordo que não queria se levantar da cama? Novamente, peço desculpas pelos palavrões e qualquer erro de digitação.

--T
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24/06/16

Compilação de Falhas no Matrix 5 (2ª Edição Brasil)



Uma falha no Matrix é uma experiência que prova que há algo de errado no mundo ou em algum “lugar” do seu cérebro.  Aqui está o quinto compilado de pequenas histórias ditas reais.

Nesta segunda edição Brasil, estou trazendo algumas falhas que aconteceram exclusivamente com pessoas Brasileiras! Todas eu peguei dos nossos maravilhosos leitores que se disponibilizaram a comentar nos outros posts de Falha no Matrix. Todos os nomes serão editados para preservar a privacidade de seus autores. Alguns relatos terão algumas edições na escrita, gramática e para não ficarem tão longas.  

Espero que gostem! 

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  • ANIVERSÁRIO NÃO MAIS SURPRESA


"No meu aniversario de 10 ou 11 anos, meus pais estavam planejando uma festa surpresa e enquanto eu assistia TV no quarto dos meus pais (era uma televisão colorida antiga de umas 12 ou 14 polegadas, que não tinha controle remoto e os botões para escolher os canais eram de 0 a 9 e tínhamos que somar apertando os botões pra chegar no canal que queríamos), e minha mãe foi fazer um telefonema para minha tia (que estava ajudando ela com a festa). Enquanto isso, a TV que eu estava assistindo saiu do ar, ficando aquele típico chiado de que quando não tem sinal (aquele granulado preto e branco), porém começou a sair no áudio da televisão, e era a conversa da minha mãe com minha tia simultaneamente enquanto falavam no telefone (telefone fixo e de fio, sem antena). Elas conversavam sobre os preparativos da minha festa. Eu comecei a gritar de felicidade por causa da festa e meus pais vieram ao quarto e comprovaram que a conversa realmente estava saindo da TV. 
PS: Eu faço aniversário no dia 31 de outubro."
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  • O FALECIMENTO QUE NUNCA ACONTECEU

"Eu estava na minha casa lendo um livro quando meu pai na sala dizendo que iria sair para falar conversar com minha tia sobre o meu avô que estava no hospital e havia falecido, que eles ainda estavam planejando algum jeito de dar essa noticia para a minha avó. Depois desse dia ninguém mais falou sobre o incidente.
Alguns dias depois, a minha avó veio na minha casa, e depois que ela foi embora comentei que ela poderia ficar mais algum tempo lá em casa, mas minha mãe respondeu que ela não podia ficar muito tempo fora de casa pois ela tinha que cuidar do seu avô. Quase perguntei sobre o que meu pai havia falado há alguns dias, mas deixei para lá.
Alguns dias depois, no meu aniversário, fui na casa dela e adivinhem: ele estava lá."
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  • A PLACA

"Eu estava viajando com meus colegas da escola, uma viagem de 15 horas e quase todo o trajeto seria percorrido durante a noite, daí decidi me encostar na janela do ônibus para dormir. Um pouco depois eu entrei naquele 'transe' que temos antes de entrar em sono profundo, tipo quando você fica sem pensar absolutamente nada. Nesse momento eu vi uma placa indicando uma saída para uma cidade qualquer, não lembro direito o nome, só lembro que era o nome de um santo. Acontece que EXATAMENTE a mesma placa com o MESMO cenário passou por mim 4 vezes seguidas!! Eu perguntei para vários outros amigos que também estavam olhando pelo janela e todos afirmaram não viram nada."
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  • O CACHORRO DA VIZINHA

"Uma vez fui para o interior onde minha avó materna mora e brinquei com um cachorro super dócil que agia como se já me conhecesse. Perguntei para minha prima de quem era aquele cachorro e ela falou que era de uma menininha que era vizinha ali no bairro. Depois de alguns meses voltei para visitar lá com as mesmas pessoas e eu perguntei sobre o cachorro. Ninguém se lembrava de que cachorro eu estava falando, que aquela menina vizinha da minha vó nunca tinha tido um cachorro. Até hoje não sei o que aconteceu. Era uma cachorro grande parecido com um pastor alemão que se chamava Fiu. Mas para meus outros parentes, inclusive minha prima, esse cachorro nunca existiu."
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  • O MESMO DIA DUAS VEZES

"Sou atendente de telemarketing e lembro de um dia em que fui trabalhar normalmente, era sexta-feira e eu estava ansiosa para ir embora. Lembro perfeitamente de todos os clientes com quem falei naquele dia, mas a viagem de volta para minha casa é apenas um flash em branco na minha memória. Não me lembro de deixar o local de trabalho, apenas recordo de chegar em casa e  ir dormir.
Acordei com a minha mãe dizendo que eu estava atrasada para o trabalho, fiquei confusa mas achei que tinha dormido o dia todo e já era sábado. Porém quando olhei no celular o mesmo informava que era sexta-feira, as 6:00 da manhã. Fiquei ainda mais confusa, e quando questionei a minha mãe ela confirmou que era sexta-feira. Eu não sei se eu sonhei ou tive uma premonição, mas foi como se eu tivesse vivido o mesmo dia duas vezes."
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  • QUINZE MINUTOS MAIS VELHO


"No começo do ano letivo, coloquei o meu despertador às 6 horas da manhã para poder acordar e me arrumar pra ir para escola. Em um certo dia, ouvi o alarme tocar, mas como estava com muito sono,optei pela soneca (15min). Mais tarde ele tocou novamente e cliquei novamente no soneca. Quando tocou pela terceira vez, levantei e fui me arrumar. Porém quando fui olhar no celular ainda eram 06:15, quando devia ser 06:30. Não sei como, mas hoje sou 15 minutos mais velho do que as pessoas ao meu redor."
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  • PREMONIÇÃO


"Quando eu era bem criança, me lembro que um dia meus pais falaram que nós iríamos numa festa e muita gente da família estaria lá. Mas eu não quis ir de jeito nenhum, lembro que quando minha mãe perguntava o motivo, eu só dizia que não parecia um bom dia pra sair de casa. O meu irmão - que nunca gostou das festas da família - fica do meu lado e disse que também não queria ir, e por nossa causa, meus pais se desarrumaram e ficamos todos em casa.
No outro dia ficamos sabendo que parte do teto do salão alugado para a festa havia caído, acho que ninguém morreu, mas uma tia bem próxima da gente quebrou a perna."
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  • O MESMO SONHO

"Há alguns dias fui pra casa do meu namorado e ele estava recebendo uns amigos, tinha um menino (bem bonito) que olhou pra mim a noite inteira. Depois de voltar para casa eu fui dormir, já era quase quatro horas da manhã, mas acordei chorando porque tinha sonhado que meu namorado havia me traído em uma 'festa' como aquela que tínhamos feito.
Fiquei bem abalada pois o sonho foi bem real, então mandei uma mensagem pra ele 'tive um sonho muito ruim, to chorando bastante', mas não entrei em detalhes. De manhã acordei com uma mensagem dele: 'Bom dia, tive um sonho muito ruim também. Sonhei que teve uma social tipo a de ontem aqui em casa e você me traía nela'. Eu fiquei meio chocada e liguei pra ele, contei o meu sonho também, e de brincadeira perguntei se o menino era pelo menos bonito, ele disse que o menino estava na casa dele ontem, mas antes de dizer quem era eu fiquei pensando 'vai ser o loiro do olho claro'. Realmente era, e eu ainda to confusa sobre isso tudo, é muita coincidência."
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  • DESCANSO (QUASE) INSTANTÂNEO

"Em algum sábado do ano passado eu havia trabalhado de manhã e jogado futebol em boa parte da tarde, resumindo, praticamente o dia todo daquele sábado eu estava fazendo esforço físico. Então as horas foram se arrastando e a noite passou e eu adentrei na madrugada. Fui dormir às 4h da madrugada, super cansado e sonolento, era um alívio saber que já era domingo e eu poderia dormir tranquilamente. Porém meu pai me acordou às 6h e me disse que iria jogar futebol e perguntou se eu iria, e o mais estranho é que eu não estava com sono algum e meu corpo parecia revigorado. Era como se eu tivesse dormido 12h seguidas, só que eu olhei no meu celular e tinham sido apenas 2h. Sinceramente eu não sei o que aconteceu naquele dia."
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  • VOLTANDO NO TEMPO

"Minha mãe costumava passar roupa durante até tarde e naquele dia tinha muita roupa pra passar, então eu decidi ficar acordada com ela. Ela ainda estava passando roupa enquanto eu mexia no celular. Já era umas 02:00 da manhã, meu celular tava com 5%  de bateria, e ai logo ele descarregou. Minha mãe olhou pró relógio e já eram 02:40 aí ela me disse 'olha, já vai dar três horas da manhã! A hora da morte!' porque tem aquela história lá que as três da manhã é a hora dos espíritos. Aí deu três numa boa, continuei sentada no sofá conversando enquanto ela passava as roupas, aí ela decidiu olhar o relógio, e quando ela viu eram 02:40 de novo! Aí ela ficou tipo 'que porra é essa?', me levantei e fui conferir nos outros relógios da casa. Todos marcava 02:40. Peguei meu celular que estava no sofá e a bateria estava 5%, ainda ligado. Ficamos apavoradas naquele dia."
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UMA PESSOA, DIVERSAS FALHAS

"Comigo já aconteceram também, diversas falhas..

1) Eu inventei uma teoria maluca de que os números eram criação anticristo, e tal. A partir daí, placas de carro e relógios me apresentavam números estranhos, 1919, 07:07, 1234, 13:13, etc. Então eu contei para os meus amigos, e logo eles começaram a ver também.
2) Sempre que acordo de um pesadelo abruptamente, são 03:07 da manhã.
3) Eu tenho passado muito tempo com minha prima. Tanto, que começamos a pensar igual, mas começamos a nos assustar ao falar igual, como frases inteiras diversas vezes, mesmo que não estivéssemos falando uma com a outra.
4) Meus Déjà vu's são bem estranhos. Começa com a simples sensação de já ter vivido aquilo, e como em um sonho lúcido, eu penso algo (mesmo que não "lembre" que aconteceria) e acontece.
5) Eu brincava de Ouija falso com meus amigos, mas eles não sabiam que era eu quem controlava. Numa hora, uma garota perguntou "Você é da luz? (um bom espírito)" e eu formei a frase 'Se eu for lápis cai'. Eu já tinha forjado derrubar o lápis que estava em cima da mesa e assustar todos, isso se o lápis que prendia o cabelo da minha amiga não tivesse desenrolado e caído sem ela nem se mexer, aos olhos de todos."
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  • IRMÃ CONSELHEIRA 

"Essa é uma que aconteceu com minha irmã:
Nós sempre vamos de ônibus pra escola, e tem as tiazinhas que cuidam das crianças no ônibus, e essa tia que cuidava do ônibus da minha irmã estava passando por um momento muito difícil na vida dela, e minha irmã do nada começou a conversar com ela, dizendo coisas bonitas, e atá cantou uma música de Deus pra tia, como se soubesse tudo o que a mulher estava passando, sabe? Ela deu muitos conselhos pra tia, sem a mulher nunca ter comentado dos seus problemas pra minha irmã, mas minha irmã não lembra de nada disso (minha irmã tinha 7 ou 8 anos na época)."
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  • PENSAMENTOS QUE VIRAM REALIDADE

"Uma vez minha sala estava em um campeonato de futebol contra outra sala, coisa besta de escola, sabe? E como eu não jogo nada, fiquei na torcida. Ai eu penso comigo mesma 'já pensou se uma das meninas fizesse gol contra?' e na mesma hora, na MESMA hora mesmo, não foi minutos depois, foi tipo uns dois segundos só, eu ouço uma gritaria e pergunto o que havia acontecido e me contam que a Roseane (colega da minha sala) tinha feito um gol contra, eu gelei na hora.
No mesmo dia, os garotos da minha sala estavam mexendo muito no ventilador, briguinha idiota se ligava ou não ventilador. Ai eu vi aquilo e gritei 'Parem de ficar mexendo no ventilador, ele vai acabar queimando!' e depois de uns 10 segundos ele queimou.
E em janeiro ou fevereiro desse ano eu estava no carro com minha família, eu estava avoada nos meus pensamentos, e então lembrei de uma vez em que meu tio atropelou um cachorro, na mesma hora, NA MESMA HORA mesmo, minha mãe quase atropelou um cachorro. Gelei de novo."

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 Em breve trarei mais uma edição de compilação de falhas do Brasil. Comente a sua falha nos comentários abaixo e talvez sua história apareça no blog! Fiquem atentos e Keep Creeping! 


23/06/16

Um toque em seu pé

Dirigi para casa, após um longo dia de trabalho, é trabalho ruim, mas da para me manter com ele. Minhas horas de trabalho são sempre insanas, eu geralmente trabalho de doze a quatorze horas. Eu moro em um desses apartamentos de dois andares que poderia ser facilmente confundido com um desses motéis de beira de estrada. 

Parei meu carro no estacionamento próximo a entrada do meu quarto. 

De alguma forma, eu estava mais cansado que o habitual, e queria apenas largar minha mala no chão e cair em minha cama. 

Peguei minhas chaves e destranquei a porta para o meu quarto. Lá dentro, tranquei a porta atrás de mim, larguei minha mala no chão e comecei a me despir. Já estava pronto para dar adeus àquele dia. 

Andei pelo meu apartamento pensando em meus planos para o trabalho no dia seguinte, mas parei quando vi a minha gloriosa e confortável cama. É uma cama de solteiro, com moldura de madeira, o colchão era composto por algodão e fios egípcio. Não era luxuosa, mas dava pro gasto. 

Pulei na cama, abraçando o leve e fofo travesseiro, que mais parecia uma nuvem. As luzes do meu apartamento estavam apagadas, e minha coberta tapava o meu rosto, bloqueando todas as luzes que entravam pela janela. Lentamente comecei a cair no sono, quando algo me impediu. 

Um leve toque na sola do meu pé esquerdo, parecia com o toque de uma leve brisa, uma pequena baforada de ar. Não dei muita atenção, já estava tarde e imaginei que seria apenas uma corrente de ar que tinha entrado por alguma janela que esqueci de fechar. Mais uma vez voltei ao estado de dormência. De repente, a leve brisa na sola do meu pé esquerdo tornou-se uma leve batida. Sacudi o pé e o recolhi para baixo da coberta. Talvez tenha sido apenas um sinal do sistema nervoso. O que quer que fosse eu resolveria pela manhã. 

O cobertor ficou muito abafado para o meu pé, e comecei a me sentir incomodado com a posição em que estava deitado, então virei para o outro lado e pus o pé outra vez para fora do cobertor. Assim que me acomodei na nova posição, a leve batida na sola do meu pé esquerdo tornou-se um rápido, mas fraco, tapa. Pensei que fosse apenas coisa da minha imaginação, já que ainda não tinha dormido, então o ignorei. 

Enquanto a noite passava, o vento uivava lá fora, e com a coberta cobrindo o meu rosto, eu não sabia como estava o clima lá fora, e eu também não dava muita importância. Eu só queria dormir, e se abrisse os olhos para dar uma olhada lá fora, correria o risco de não conseguir dormir. Lentamente, voltei a entrar no estado de dormência, mas dessa vez, os fracos tapas na sola do meu pé esquerdo, tornaram-se mais forte, e dessa vez eu acordei completamente. 

Tem alguém em meu quarto? O que ele quer de mim? Eu só queria dormir. Meus olhos estavam arregalados, o cobertor continuava cobrindo o meu rosto, Eu temia ver quem ou o que estava batendo em meu pé, e temia que ele também me visse. Puxei meu pé de volta para baixo do cobertor e me encolhi mais. Tentei não entrar em pânico, já que isso denunciaria que eu estava acordado. 

Depois de um tempo, o vento lá fora enfraqueceu, e tudo ficou em silêncio. Pensei que o que estava batendo em meu pé já tivesse partido, então pus o pé para fora do cobertor outra vez, e assim que o fiz, o vento lá fora irrompeu de modo muito barulhento, assim como uma TV que é abruptamente retirada do mudo. As batidas em meu pé tornaram-se mais esmagadoras, e eu realmente sentia a coisa que batia em meu pé, assim como a dor. O toque que eu sentia em meu pé, não era de pele humana ou de um objeto de metal, era o próprio ar. 

Permaneci deitado e paralisado de medo, eu ainda não queria tirar o coberto do meu rosto, ou fazer qualquer tipo de barulho. Eu só queria dormir, mas com a força crescente das batidas em meu pé, eu sabia o que viria a seguir, e temia por isso. 

O vento uivava cada vez mais alto, as árvores lá fora farfalhavam e balançavam, com fortes sons de estalo, como se estivessem retirando suas raízes da terra e começando a andar. Apertei minha mandíbula o mais forte que pude, agarrei firme o meu cobertor e tentei mantê-lo cobrindo o meu rosto, na esperança de amenizar a dor que eu logo sentiria. Foi rápido. Um poderoso movimento, o vento bateu, não na sola do meu pé esquerdo, mas sim no meu tornozelo esquerdo. 

*Clack* meu pé esquerdo foi deslocado. Rolei de dor. O vento lá fora silenciou-se instantaneamente, os estalos das árvores desapareceram. Meus olhos arregalados encaravam o meu pé esquerdo. Ele estava completamente deslocado. Pedaços de ossos saltavam para fora, e sangue escorria através da pela rasgada. Como os planos de ignorar já tinha fracassado, olhei para o pé da minha cama para ver quem era o torturador que tinha feito isso comigo... 

E não havia ninguém. O único som que eu ouvia era a calma brisa lá fora.


21/06/16

Outros Casos de Efeito Mandela

Olá Creepers. Colocarei nesse post os casos mais interessantes do Efeito Mandela. Não pretendo fazer mais posts sobre esse assunto, mas vou mantê-lo atualizado.

O "Efeito Mandela" é um fenômeno criado após a morte de Nelson Mandela, onde várias pessoas pensavam que ele já havia morrido na década de 80. Mudanças na cultura e história que não estão em sincronia com a lembrança daquele evento é dito como parte do Efeito Mandela.

“Looney Toones” ou “Looney Tunes”?
“Tenho certeza de que quando era pequeno, eu assistia “Looney Toones” pela manhã e no começo da tarde. Mas agora, fui apresentar para o meu filho e percebi que eram “Looney Tunes”. Como assim? Isso nem mesmo faz sentido.

“Sex AND The City ou Sex IN The City”?
“Eu, meus primos e meu irmão víamos “Sex IN the City “ quando adolescentes, na chácara dos meus pais. Fui pesquisar para baixar ou comprar um box da série para dar de presente para meu irmão e percebemos que não era mais “Sex AND the City”. O que está acontecendo? “

“Luke, I am your father” ou “No, I am your father”?
“Sou um grande fã de Star Wars e quando fui usar a frase de Darth Vader (Luke, I am your father) numa piada interna com meu amigo, ele relutantemente afirmou que eu estava falando errado. Pesquisei no Google e ele estava... certo? Alguém mais se lembra de Darth Vader dizendo “Luke, I am your father”? “

Quem é Albert Eistein?
“Tenho 30 anos e nas últimas semanas eu tenho visto as pessoas se referindo a esse homem como Albert Einstein. Todos sabem que o nome dele é Albert Steinberg, mas eu não acho menção alguma a ele. ”

Willy Wonka e a Fantástica Fábrica de Chocolate
“Estou certo de que todos aqui conhecem o filme clássico estrelando Gene Wilder. Bem, após ouvir a música ‘Pure Imagination’ Do filme, decidi procurar e ver o clássico de infância. Pesquisei no google “willy wonka e a fábrica de chocolate 1975 filme completo”, mas tudo, os sites de download, o IMDb e as páginas da Wikipedia dizem que o filme saiu em 1971. Todos se lembram do filme saindo em 1975 e não em 1971? ”

As coisas estão diferentes
“O Livro Berenstain Bears que eu vejo todas as vezes no meu porão, quando lavo roupas, me fez largar o cesto e ir ver o livro. O cereal Froot Loops (Ou Fruit Loops) agora é perturbador e a manteiga de amendoim que eu comia quando criança não há sequer vestígios de ter existido. O que está acontecendo? ”

Coca-Cola
“Vocês se lembram de um hífen entre “Coca” e “Cola”? Vocês REALMENTE se lembram? “

Planeta dos Macacos
“ Ok
Esse daqui me fez parar o filme e rever a cena algumas vezes, quando “Taylor” (Charlton Heston) é capturado na cidade dos macacos.
Planeta dos Macacos – O Original de 1968
O que eu lembro:
“Tire suas mãos de mim, seu macaco imundo! ”
Como é agora:
“Tire suas patas fedidas de mim, seu maldito macaco imundo! ”
Há outros aspectos do filme que também foram alterados”

Kurt Cobain morreu em 4 de abril de 1994
“Esse daqui eu realmente não consigo explicar. Bem. Vou tentar. Sou um grande fã do Kurt e tenho certeza de que ele morreu em 4 de abril de 1994. Mas a maioria dos jornais afirmam que ele morreu em 5 de abril de 1994. Alguém mais percebeu isso? “

Teorias:

1- Um monte de pesquisas provou a existência de universos paralelos. Se universos paralelos são fato, então não seria lógico concluir que EM’s são ocorrências naturais desde que universos paralelos irão naturalmente se fundir, e esse fenômeno sempre aconteceu, mas só percebemos agora por causa da internet?

2- [...]

Comentem suas experiências com o E.M. e eu vou avaliar para atualizar o post com comentários dessa e da postagem anterior.



14/06/16

Efeito Mandela: The Berenstain Bears

The Berenstain Bears é o nome de um desenho animado muito famoso que passou na TV americana entre 1985 e 1987, ganhando outros episódios em 2003. O desenho foi criado à partir dos livros infantis de mesmo nome, de autoria do casal  Stan e Jan Berenstain. Tanto o livro quanto o desenho apresentam uma família de ursos pardos antropomórficos (Papa Bear, Mama Bear, Sister Bear, Brother Bear e mais tarde Honey Bear) que geralmente aprendem uma lição moral ou relacionada a segurança no decurso de cada história.

         

Os livros e o desenho eram voltados totalmente ao público infantil, e seus personagens tornaram-se os mais amados da literatura moderna americana, fazendo parte da infância de milhares de pessoas.

Mas por que este desenho infantil aparentemente inofensivo esta causando tanto furor na internet? Algumas pessoas afirmam que apenas o nome The Berenstain Bears pode provar que existe uma "falha na matrix" de nossa realidade.

Na verdade é algo muito simples: praticamente ninguém se lembra que o sobrenome da família, Berenstain, é escrito com A, mas sim com E. Não entendeu? Vou explicar melhor: Aqueles que assistiam a série ou leram os livros podem jurar de pés juntos que o nome é The BerenstEin Bears e não The BerenstAin Bears.

Pode parecer algo insignificante, mas tente imaginar por este lado: um belo dia, você está vendo TV e de repente começa um episódio de Tom e Lerry. Lerry? Você acha estranho, afinal, em sua infância toda você se recorda de que o nome do ratinho marrom é Jerry, e resolve tentar descobrir o que se passa. O que você encontra? Tudo, absolutamente tudo, desde antigos episódios, fotos, livros de colorir, artigos na internet, tudo o que você encontra do desenho está como Tom e Lerry. Entendeu o exemplo?

O fato é que há tantas pessoas que afirmam se lembrar que o nome é BerenstEin, que foi criado para esses "crentes", a alcunha de Berensteinites. Aliás, a esmagadora maioria dos espectadores se lembram que o nome era escrito com E. De fato, até a própria pronuncia do nome muda, então como tantas e tantas pessoas conseguiram "se enganar" dessa forma?

"Eu só percebi que se escrevia com 'A' quando eu li um dos livros para meu filho, há oito meses atrás. Esta foi uma hora de dormir perturbadora" contou um Berensteinite.

A teoria The Berenst[E]ain Bears já existe há alguns anos, mas explodiu definitivamente quando o rapper EL-P postou o seguinte tweet:

"A conspiração de universo alternado  'Berenstein Bears/The Barenstain Bears'. De nada."
Ao contrário de muitas outras teorias da conspiração, a dos Berenstains parece estar ganhando força. Existem aqueles (a maioria) que se intitula "Time Stein", existem os "Time Stain" e aqueles que simplesmente não se lembram. Contudo, esta pequena parcela de pessoas que não se lembram podem ser a prova de uma terceira, mais misteriosa e possivelmente mais obscura, linha do tempo.

Muitos teóricos em particular, acham que a teoria Berenst[E]ain é a prova de um Efeito Mandela.

O Efeito Mandela é uma ideia expressada por Fiona Broome, que surgiu quando um grande número de pessoas tiveram a memória vívida de que Nelson Mandela havia morrido na prisão em 1990 e caralhada. Não é como um boato que você ouviu e acreditou, é uma lembrança REAL que as pessoas tiveram. Como todos sabem, Nelson Mandela morreu em 2013, mas quais são as razões para que uma grande parte da população compartilhe desta memória falsa? Surgiu então o Efeito Mandela, explicado como um fenômeno "relacionado à histórias alternativas e realidades paralelas" (não vou me aprofundar no tema hoje, pois farei um post completo em breve, me interessei pelo tema).

A coisa toda faz total sentido, certo?

Como todas as questões complexas e importantes, você deve primeiro entender a história se quiser entender a teoria. A primeira vez que alguém notou que o nome da família de ursos era diferente daquela que se lembrava foi em 2009, em um fórum de assuntos variados da internet, o Dreadlock Truth. O usuário Burke postou perguntando o porquê o nome de seu livro favorito da infância havia mudado. Ninguém compreendeu o assunto em questão, nem a gravidade da verdadeira mensagem dos ursos. Outros usuários apenas ofereceram alguns motivos: talvez pelo nome soar "judeu" demais e a mudança ter ocorrido como resultado de uma agressão neo-nazista, ou coisas do tipo.

A teoria permaneceu dormente por alguns anos antes de reaparecer em um site humorístico chamado Communist Dance Party em um post de 2011. Embora as palavras tenham sido escritas de forma sarcástica, o escritor O Falso Profeta relaciona a teoria Berenst[E]ain com o efeito borboleta.

"Em algum momento entre os anos de 1986 e 2011, alguém viajou de volta no tempo e, inadvertidamente, alterou a linha do tempo da história humana para que os Berenstein Bears de alguma forma se tornassem os Berenstain Bears", escreveu ele. "É por isso que todo mundo se lembra do nome incorretamente, era Berenstein quando éramos crianças, mas em algum momento quando não estávamos prestando atenção, alguém voltou no tempo e alterou nossa experiência de vida muito ligeiramente." Mal sabia ele o quão importante essa noção viria a ser no movimento.

A próxima aparição da teoria veio depois, no final de 2012, no blog The Wood Between Worlds, no post "The Berenstain Bears: Nós estamos vivendo em nosso próprio universo paralelo." de autoria do autor Resse. As 1.600 palavras que compõe o artigo viriam a ser a principal literatura deste movimento moderno, algo como o Novo Testamento da teoria.

Nele, o autor do blog faz uma "modesta proposta", que implica que todos nós estamos "vivendo em nosso próprio universo paralelo." Ele propaga que existem pelo menos dois universos; o universo "stEien" e do universo "stAin". O autor tenta provar a teoria como verdadeira, e divide-se em termos matemáticos e científicos.

Aqui está um trecho:

Proponho que o universo é uma variedade complexa 4-dimensional. Se você não habla jargões matemáticos, isso significa que eu proponho que as 3 dimensões espaciais e a 1 dimensão de tempo são na verdade complexas entre si, o que significa que assume-se valores de forma a + ib, parte "real" e parte "imaginária".

A partir daí, a teoria tomou forma, e começou a aparecer no ano passado em um subfórum do reddit (conhecido como /subreddit) com o nome "Glitch in the Matrix", onde o "evangelho" da teoria começou a se espalhar. Para quem não sabe, esse subfórum do Reddit é dedicado àqueles que "se lembram de coisas que não aconteceram", digamos assim. A primeira grande aparição da Berenst[E]ain Theory no Reddit ocorreu em um post de um usuário perguntando se alguém já tinha visto um retrato de Henry VIII comendo uma coxa de peru.

O Efeito Mandela tornou-se um tema tão popular que um subreddit dedicado exclusivamente à ideia foi iniciado em 2013. Ele existe como um lugar onde as pessoas podem se questionar sobre fatos do tipo. É um bastião do pensamento intelectual. Um post recente da subreddit foi dedicado ao Berensteinites Roxxorursoxxors, que criou um plano de experiência de 20 anos com o sua filha de dois. A experiência consiste em certificar-se que a criança conheça e leia os livros The Berenstain Bears até que tenha 10 anos. À partir daí, ele irá retirar os livros da posse da criança até que ela complete 25 anos, e então pedirá que ela escreva o nome dos ursos.

Um outro usuário do Reddit mandou um e-mail para o Dr. Henry L. Roediger, um dos principais especialistas em memórias falsas na América do Norte, que explicou: "Eu não tenho certeza de que se esquecer de uma letra em um nome longo é considerado como uma falsa memória. Meu palpite é que, neste caso, "stEin" é lembrado porque é o final comum de muitos nomes, como Einstein, Frankenstein, Goldstein,etc.."

Outro usuário ainda mandou e-mails para a Random House, a editora dos livros The Berenstain Bears desde 1962, em uma tentativa de confirmar a teoria. No e-mail, ele perguntou se o nome da família de ursos sempre foi digitada com "A", e se eles estavam certos de que não havia títulos impressos com o nome Berenstein. O usuário então informou que quase imediatamente após ter enviado o e-mail, recebeu uma resposta da editora. "Foi sobrenaturalmente rápido" ele contou "quase como se soubesse que eu estava enviando o e-mail."

"Obrigado por entrar em contato com departamento de publicidade do livros infantis da Random House," eles responderam. "Por favor, note que, devido ao grande número de e-mails que recebemos diariamente, pode demorar algum tempo para que possamos responder ao seu pedido." É escuso dizer que a pergunta ainda não foi respondida.



Ah, mais um exemplo. Sex IN the City Ou Sex AND the City?

Sim, era Sex IN the City, mas agora é Sex AND the City.