08/02/16

O Desaparecimento de Maura Murray

Os fatos abaixo são de um desaparecimento real de uma mulher real e seu conteúdo foi pesquisado, traduzido e escrito exclusivamente pelo Creepypasta Brasil. Caso for usar trechos ou o texto integro em algum outro lugar, por favor, coloque fonte para o nosso blog. Dê seu feedback nos comentários para eu saber se trago mais conteúdo como esse para o blog! 
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Maura Murray era uma mulher de 21 anos que desapareceu no dia 09 de fevereiro de 2004. Não há outros sites em português que falem sobre essa caso, então decidi dividir os fatos ocorridos em tópicos para facilitar o entendimento da linha do tempo do desaparecimento de Muray. Esse é um caso real que ainda está sem solução. 

  • Maura era uma estudante de Enfermagem na Universidade de Massachusetts Amherst. No dia do seu desaparecimento, ela mandou e-mails para seus professores e supervisores de curso dizendo que teria de fazer uma viagem de uma semana por causa que um familiar que havia morrido. Mas não, ninguém da sua família havia morrido e nenhuma outra emergência familiar foi relatada posteriormente pela família.
  • No dia do seu desaparecimento, por volta da 13h, mandou uma mensagem de texto pro seu namorado que dizia "Recebi sua mensagem, mas pra ser honesta, não estou afim de conversar com ninguém agora, mas prometo te ligar hoje a noite."
  • Entre a 13h e as 15h, ela fez algumas ligações no qual buscava informações de hotéis e locais para ficar em cidades bem diferentes (uma em Bartlett, New Hampshire e outra em Stowe, Vermont). Também mandou uma mensagem de voz para o namorado para reforçar que conversaria com ele aquela noite.
  • No seu carro foram ela colocou produtos de higiene pessoal, roupas, e seus livros da faculdade. Posteriormente, investigando sua casa, a polícia encontrou a maioria dos pertences de Murray empacotados e arrumados como se estivesse de mudança.
  • Por volta das 15h30 ela deixou o campus da faculdade com seu Sedan preto.
  • As 15h40 ela retirou um dinheiro no caixa eletrônico, por volta de 250 dólares. Depois ela passou em uma loja de bebida e comprou quarenta dólares em diversos tipos de bebidas alcoólicas como: Licor de Creme Irlandês, Kahlúa, vodka e uma caixa de Vinhos Franzia.
  • Por volta das 19h uma moradora de Woodsville, New Hampshire ouviu uma batida e checou pela janela. Alguém havia batido o carro contra uma árvore ali perto. Um outro vizinho, um motorista de ônibus aposentado, foi checar o acontecimento e encontrou a jovem. Ela não estava sangrando, mas estava com frio e tremendo. Relatou que já havia ligado para a AAA (Associação  Automobilística Americana), porém essa ligação nunca foi realizada ou registrada. Pediu então para o homem ligar para a polícia. Como em 2004 nem todo mundo tinha acesso a telefones celulares, o homem teve que ir para dentro de casa fazer a ligação no seu telefone fixo, perdendo de vista o carro por aproximadamente cinco minutos. Foi nesse momento em que Maura sumiu para nunca mais ser vista. 

  • As 19h45, a policia chegou e encontrou o carro trancado. A vítima não estava junto do veículo. No carro foram encontrados as bebidas alcoólicas, o contrato com a AAA, formulários em branco sobre acidentes de carro, luvas, maquiagem, Mapas para a cidade de Burlington, Vermont e outro para Stowe, Vermont. O bichinho de pelúcia favorito dela e um livro sobre como escalar montanhas.
  • Itens que desapareceram com Maura e não foram encontrados desde então: Cartão de crédito e celular da vitima.
  • Uma pessoa relatou ter visto uma pessoa jovem andando pelo acostamento de uma estrada perto dali usando calças jeans e moletom, mas não avisou a policia no momento, pois não sabia do desaparecimento da jovem. Só falou sobre isso três meses depois do desaparecimento dela.
Esse é o resumo do desaparecimento de Murray. O que vocês acham, ela fugiu? Foi sequestrada? Tentou escalar as montanhas e morreu na floresta? Já estava embriagada no momento da batida? A batida de carro foi intencional? 


07/02/16

O caso de Susan Walsh

Em 16 de julho de 1996, Susan Walsh de Nutley, Nova Jersey, estava com pressa. Ela deixou o seu filho, David, com seu ex-marido. Ela disse que precisava fazer algumas ligações e ir a um lugar. Mas Susan Nunca voltou. A polícia acredita que Susan Walsh simplesmente escolheu desaparecer. Alguns temem que sua vida tenha chegado ao fim.

Susan cresceu em um lar problemático, teve uma infância amarga. Mas, contudo, Susan ainda sonhava em ser poetisa. Ao completar 20 anos, ela estava muito distante de seu sonho. Em vez disso, ela era usuária de drogas, a fim de conseguir suportar a sua vida de stripper. Porém, ela ainda tinha esperanças na vida, e utilizava as gorjetas que ganhava para pagar a sua faculdade. Quando se graduou, em 1988, trocou sua vida como stripper por uma carreira de escritora.

De acordo com a amiga de Susan, Melissa Hines, ela esteve sóbria durante os quatro anos que permaneceu casada e foi uma mãe devotada.

“Susan amava muito o seu filho e estava sempre ao seu lado. As duas coisas que significavam muito a ela eram o seu filho e sua carreira como jornalista”.

Por fim, ela e seu marido se separaram. Seus trabalhos como escritora não pagavam o suficiente para sustentar o seu filho. De acordo com o jornalista James Rigdeway, ela voltou a ser stripper, pois não conseguiu resistir ao dinheiro fácil:

“Susan diria que ela era como uma viciada e que todo o negócio do sexo era um tipo de vício e ela estava tentando quebrar esse vício. Ela falaria incansavelmente em um nível intelectual contra a dança, e às vezes com grande articulação, sabe. Isso te faria sentir que isso era algo muito profundo. E então ela estava lá, dançando”.

Então, Susan conseguiu um estágio em um jornal alternativo de Nova York, “The Village Voice” [A Voz do Povo]. Por seu passado como stripper, ela ficou responsável em pesquisar sobre a indústria do sexo. Ela logo encontrou uma história quente: Mafiosos russos em Nova Jersey estavam supostamente forçando mulheres imigrantes jovens a trabalharem como escravas em clubes de strip. James Rudgeway descreveu Susan como obstinada com seu trabalho:

“Susan era uma pesquisadora fantástica. Ela realmente se dedicava a isso. Ela passava hora após hora, dia após dia, e então se meteu nessa situação na qual pessoas eram supostamente partes de um crime organizado. Os gerentes desses clubes começaram a ficar do lado das mulheres russas e a ficar contra os gerentes russos, era como se duas máfias se encontrassem. E Susan, claro, adorou isso e ficou bem no meio de tudo”.

Susan ganhou elogios por seu artigo sobre os mafiosos russos, mas também recebeu sérias ameaças quando foi publicado. Entretanto, isso não a impediu de investigar outro lado desse mundo obscuro. Dessa vez eram as boates de vampiros. Esses clubes atraíam jovens que se denominavam “góticos”. Eles eram conhecidos por suas roupas pretas extravagantes, mas, alguns levavam isso um pouco mais fundo, chegando a beber sangue de verdade.

Ela foi atraída pelo mundo dos vampiros, inclusive começou a namorar um homem que dizia ser um morto-vivo. De acordo com James Ridgeway, Susan escreveu um artigo detalhado, mas pareceu perder o seu objetivo jornalístico.

“Ela acreditava em muitas coisas que esse pessoal dizia a ela, sobre como havia assassinatos secretos e assim por diante no mundo vampírico. Ela, uma vez, me disse: ‘Eu encontrei esses dois caras e eles tinham essa van assustadora e eu não sabia se deveria entrar nela ou não.’ Então, eu disse: ‘Olha, não entre nessa van, porque eles podem não ser vampiros, sabe.’”.

Para a decepção de Susan, o jornal The Village Voice nunca publicou a sua história. Ela, então, voltou a dançar em tempo integral. Em um documentário feito por um amigo, Susan falava sobre o papel que a vida de stripper tinha tomado em sua vida:

“Isso me suga. Estive nisso por quatro anos e meio, quatro longos anos, eu diria, e estou presa dentro desse dilema porque me sinto sugada. E eu estou machucada, admito isso, muito machucada por causa desse negócio. Eu estou sofrendo muito”.

O diretor Jill Morley esteva com Susan dois dias antes de ela desaparecer:

“Ela disse que estava com bronquite, enfisema e úlcera. Ela disse que esteve no hospital duas vezes naquela semana. Falou sobre suas mudanças de humor, sobre estar depressiva e empurrando a vida com a barriga”.

48 horas depois da última vez que Jill a viu, Susan desapareceu. Será que ela entrou em colapso por causa da depressão ou da saúde fraca? Ou será que ela estava em algum lugar, esperando por ajuda? Os amigos de Susan tinham que considerar as teorias mais obscuras. James Ridgeway disse que acreditava que Susan havia se tornado usuária de drogas:

“Acho que ela saiu e provavelmente ligou para alguém vir e pegá-la e deve ter tido uma overdose, e deve ter tido na presença de alguém que a conhecia e que estava com medo de fazer alguma coisa sobre isso”.

O detetive John Rhein de Nutley, Departamento de Polícia de Nova Jersey, disse que a polícia tinha uma teoria completamente diferente:

“Acredito que Susan Walsh esteja viva. Por alguma razão desconhecida, para mim, ela optou por deixar a sua família e casa, o que ela tinha todo o direito de fazer”.

Um número de pessoas, incluindo uma velha amiga, Melissa Hines, disseram à polícia que viram Susan após ela desaparecer entrando em uma limusine.

“Eu tenho certeza que era ela. Tenho certeza que vi Susan um mês depois de seu desaparecimento”.
O detetive Rhein seguiu a informação de Melissa:

“Nós rastreamos o número da placa que Melissa Hines nos deu, conversamos com o proprietário e usuário deste veículo. Ele esteve com uma mulher que bate com a descrição de Susan. Ele viu fotos e teve certeza de que era ela. Mas, novamente, não tivemos nenhuma identificação positiva de Susan Walsh naquele tempo”.

Melissa acredita que se Susan estiver viva, ela deve estar se escondendo deliberadamente:

“Susan definitivamente acreditou estar em perigo. Ela temia por sua vida e acho que ela estava com medo que a vida de seu filho também estivesse em perigo. Ela, na verdade, me disse que não faria isso no próximo ano. Ela sentia que estaria morta”.

Floyd Merchant é o pai de Susan:

“Acredito que há uma chance do mafioso ter estado atrás dela. As pessoas no crime organizado se preocupavam que Susan tivesse informações que pudesse os mandar para a cadeia. De acordo com Susan, esse era o caso”.

Melissa Hines acredita que alguém estava seguindo Susan:

“De primeira, acreditei que fosse apenas a imaginação dela, mas vi com os meus próprios olhos. Eu vi carros seguindo ela, nós duas, pessoas seguindo o meu carro, ela estava no meu carro. Então definitivamente alguém a estava perseguindo”.


Quem seria essa pessoa que poderia estar seguindo Susan? Ninguém sabe. Mas agora, anos após seu desaparecimento, a polícia acredita que ela foi assassinada e o caso continua em aberto.

Fonte: http://unsolved.com/archives/susan-walsh


06/02/16

Compilação de Lendas Urbanas - Parte 2

Olá, pessoal!. Aqui está a segunda parte da compilação de lendas urbanas do reddit. Se você não leu a primeira parte, clique aqui. Deixe o seu feedback :D!
Os nomes em negrito são dos usuários que enviaram a lenda urbana logo abaixo.
                                                                                                                                                                   

[deleted]:

Há muito tempo atrás, havia um homem que foi caçar na floresta. Conforme a noite caiu, ele percebeu que estava em uma parte desconhecida da floresta. Ele andou e andou, mas não conseguiu encontrar o caminho para casa. Ficou vagando sem rumo no escuro, até que chegou a uma clareira onde uma velha e desorganizada cabana se encontrava. Como estava cansado, decidiu ver se poderia ficar ali aquela noite.
Quando se aproximou da cabana, viu que a porta estava entreaberta. Bisbilhotou pela fresta da porta, e viu que a pequena cabana estava completamente vazia, mas havia uma cama e a lareira estava acesa. O caçador então entrou, se jogou na cama e decidiu dormir ali naquela noite. Se o proprietário voltasse, ele pediria permissão pela manhã.
Deitado na cama, meio sonolento, ele olhou em volta e se surpreendeu ao ver que as paredes estavam cobertas de pinturas. Elas pareciam ser retratos de família, todas emolduradas e pintadas em detalhes incríveis. Pareciam muito reais e, sem exceção, um retrato era mais feio do que o outro. Os rostos horripilantes das pinturas o fizeram se sentir extremamente desconfortável. O modo como foram pintados fizeram com que parecesse que os olhos estavam olhando diretamente para ele. Isso era extremamente irritante.
Ele decidiu que a única maneira de conseguir dormir seria ignorar os rostos horrorosos olhando para ele. Virou seu rosto para a parede, cobriu a cabeça com um cobertor e dormiu.
Pela manhã, o caçador acordou e se deparou com a cabine completamente banhada pela luz do sol. Quando ele olhou para cima, descobriu que não havia nenhum retrato de família nas paredes da cabana, apenas janelas.

Dat_Cankle:

Uma garotinha chamada Sarah tem uma grande coleção de bonecas. O pai dela se esquece de comprar a ela um presente de aniversário, avista uma boneca em uma venda de garagem e rapidamente a compra.
É uma boneca muito especial, feita de porcelana e com olhos de vidro, com um cabelo cacheado perfeito. Ela a chama de Lucy e a coloca em um armário de vidro ao fim do dia antes de subir para a cama.
Durante a noite, seus pais acordam acreditando terem ouvido Sarah brincar com a boneca. Como era o aniversário dela, deixaram para lá, mas conseguem ouvi-la durante toda a noite...
(Cantando)
Lucy está no fim da escada... tap tap tap
Lucy está no meio da escada... tap tap tap
Lucy está no topo da escada... tap tap tap
O som é irritante, mas seus pais tentam ignora-lo enquanto o som chega mais perto de sua porta.
Lucy está no corredor... tap tap tap
Lucy está na pooooorta de Sarah... tap tap tap
Achando que sua filha estava indo para cama, os pais ignoram o cantarolar.
Lucy está no final da caaaaaama de Sarah...
Lucy está no meio da caaaama de Sarah...
Lucy está no começo da caaaama de Sarah...
E agora, morta estáááá a Sarah...
tap... tap... tap...

crazy-ex:

A lenda japonesa kuchi-sake onna. Em tradução livre, seria “A Mulher com a Boca Cortada”. De acordo com a lenda, o marido dela cortou a boca dela de orelha a orelha, e o vingativo espírito dela anda por aí perguntando às pessoas se elas a acham bonita. Se você diz que não, ela te mata (não me lembro como... Acho que ela te corta em pedacinhos?), e se você diz que sim, ela corta a sua boca para que fique igual a dela.


Ubloo - Parte 5.5

Cheguei na escola quase às exatas duas da manhã.

Peguei a mochila no banco traseiro e coloquei em meu colo.

O ar noturno estava sombrio e calmo. Eu havia estacionado à uma distância considerável da escola, então eu peguei a sacola pelo ombro e comecei a longa caminhada até o portão.

Enquanto eu andava, eu não podia parar de pensar no que Eli havia me dito. Sobre o Ancião, os Ubualas, tudo. Como é que aquele Daiala Bu Umba falava Ubloo? Por que ele me dizia para acordar na ausência de outra pessoa? Eu andei um pouco mais rápido e então eu parei por um momento.

E se não era ele falando Ubloo? E se fosse outra coisa? Algum outro espírito tentando me ajudar?

Tentando impedir o pior de acontecer? Fazia sentido. Fazia muito sentido. Esse era o porquê de sempre que ao meu despertar de um sonho eu ouvir isso antes.

Senti meu estômago revirar enquanto eu andava novamente. Se a besta se alimentava com desespero, então faria sentido algum espírito benevolente me acordar antes dele perceber esse sentimento. Minha mente estava à mil com toda essa nova informação, e pela primeira vez em muito tempo, eu senti uma pequena faísca de esperança.

Na hora que eu cheguei no portão, meu ombro estava começando à doer por causa da mochila. Peguei no meu bolso a garrafa de Adderall. Tomei outra pílula, só para estar seguro. Coloquei de volta em meu bolso e peguei as chaves. Segurei meu fôlego, enfiei a chave prateada na fechadura.

Ela girou.

Finalmente as coisas estavam começando a acontecer do meu jeito. Abri o portão suavemente e entrei. Abaixei a cabeça e corri pelo caminho, silenciosamente, até a porta. Enfiei a chave dourada, abri e entrei sem fazer barulho algum.

Fechei a porta que estava atrás de mim e ela estava preenchida por uma escuridão profunda. Abri a mochila e tateei cegamente em busca da minha lanterna. A peguei e liguei. Eu apontei para a primeira sala, esperando ver algo ali. Muitos filmes de terror quando eu era criança, acho eu. Eu me virei e comecei a fazer meu caminho pela casa.

Novamente, eu não sabia o que procurava naquela casa, mas de algum modo, senti que saberia quando encontrasse. Subi pelas escadas e fui pelo escritório e as salas de aula. Bati nas paredes, tentando ouvir se ali tinha alguma passagem falsa ou coisas por trás delas. Vasculhei as salas e voltei para baixo pelas escadas. Após uma hora ou duas de pesquisa pela casa, eu me abaixei e suspirei.

Eu teria de voltar outra noite e tentar novamente. Merda.

Eu não sabia o que esperar enquanto eu procurava pela casa, mas de algum modo, eu senti que saberia.

O engraçado era que a construção não era muito diferente de uma que eu vivi em Stoneham, Massachusetts. Eu me levantei, fui até as paredes e acariciei algumas das tábuas. A mesma cor da pintura, ou era parecida. A mesma decoração. Mesmo piso no chão. Só tinha algo sobre os carpetes que eu não podia pisar. Devia ser por causa que eu odiava aspirá-

Então eu o vi.

Um piso, em um tom mais suave que o resto.

Andei sobre até lá e apontei minha luz para ele. Apesar de ser a mesma madeira, parecia um pouco mais clara, o acabamento um pouco... melhorado. Parecia... novo.

Larguei a mochila e peguei o martelo e o pé-de-cabra. Arranquei os pregos um por um e no final eu arranquei o assoalho inteiro até ele se partir ao meio. Eu conseguia enxergar apenas três polegadas dentro do buraco. Tentei iluminar o buraco com a minha lanterna, mas não dava para ver o suficiente.

Fiquei louco com a ansiedade, arrancando as tábuas usando o espaço em aberto como alavanca. Puxei mais duas vezes e apontei a lanterna novamente. O que eu vi quase me fez vomitar.

Haviam ossos no chão em baixo do piso. Não era incomum as casas de Louisiana serem construídas à alguns metros do chão, para evitar inundações, embora essa estivesse longe o suficiente de qualquer cano de água. Só havia um metro ou dois de espaço e então terra, que estava absolutamente cheia de ossos e cinzas. Procurei por aquele pedaço do chão freneticamente com minha lanterna, e então eu o vi.

Apagado, mas ainda ali, estava um grande círculo em volta da pilha de ossos e cinzas, com símbolos que eu reconhecia quase que instantaneamente.

Era Khoe antigo.

Fiquei sentado ali, encarando as escritas horríveis, quando eu vi um pedaço de papel bem ao lado. Me abaixei até meus dedos pegarem e puxarem o papel.

Abri a nota e li:

“Eu perguntei como você dormiu à noite, agora tenho minha resposta. “

Assinado no verso:

“Monaya Guthrie”

Me sentei, ainda não acreditando.

“Monaya Guthrie. ” Eu falei para mim mesmo como se eu gritasse de raiva. Ela deve ter invocado Ubloo novamente, de algum modo, com esse ritual e isso logo para alguém responsável por fechar a escola. Meus olhos se encheram de lágrimas de fúria e frustração. Mas por quê? Por que o monstro ainda está caçando? Se ele matou a tribo, então por que ele ainda está aqui?

E então eu percebi.

O pajé escreveu que sua esposa estava grávida quando foi assassinada, e que ele queimou a tribo inteira para invocar o monstro. Mas e se não fosse a tribo inteira, e se o que o mostro queria mesmo ele já tivesse matado, quando o pajé o invocou, e ele ainda estivesse procurando pela criança? E se o pajé de algum modo tratou de salvar sua cria?!

Minha mente estava à mil. Mesmo primitivos, não era incomum que os remédios antigos estivessem hábeis para realizar tal procedimento. Quero dizer, é só uma premeditação prematura.
Gardei minhas ferramentas e a anotação na mochila e levantei.

Monaya Guthrie, eu tenho que encontrá-la. Ou pelo menos alguém que a conheceu. Ela devia ser a minha próxima meta. Puta que pariu, ela deve até mesmo ser descendente de-

O piso atrás de mim estralou e eu congelei de medo pelo som.

Girei e iluminei com minha lanterna e gritei.

Ali no escuro, iluminado por um feixe de luz, estava Ubloo.

Ele me observava com aqueles olhos pretos e me encarava enquanto eu tremia de medo.
“Preciso acordar. Merda merda merda Eu tenho que acordar. ”

Eu vi ele lentamente começar a rastejar em minha direção, com os ossos de seu corpo visíveis em baixo daquela pele cinza clara, em cada movimento.

E então eu percebi. Em nenhum sonho eu sabia que eu estava dormindo.

O pânico se acomodava como uma febre. Os homens da tribo que viram Ubloo quando estavam acordados, o jeito que Andrew morreu pressionado contra a parede que ficava contra a porta. Meu coração estava saltando do meu peito.

Não era nenhum espírito benevolente tentando me acordar. Como eu pude ser tão burro?
Era Ubloo. O tempo todo era Ubloo. Me dizendo para acordar todas as vezes. Me fazendo sentir seguro até os últimos momentos. Mas desta vez, desta vez eu percebi que não haveria um ‘acordar’.

Não havia escapatória.

Ubloo parou, inclinou a cabeça levemente, e depois galopou para mim. Eu gritei, ele se virou e correu. Eu corri para fora da porta da sala de aula e para o corredor. No meio do corredor, vi uma porta e ouvi Ubloo bater em uma parede atrás de mim, me perseguindo. Foi se aproximando de mim mais rápido. Me atirei para fora da porta e me vi em outra sala de aula. Eu corri e procurei freneticamente outra porta. Corri alguns metros depois dele e puxei o revólver na parte de trás da minha cintura. Eu apontei minha lanterna para onde eu tinha acabado de entrar e ouvi as batidas na moldura interna da porta. Ubloo veio rapidamente através dela. Disparei três tiros e vi ele recuar.

Onde as balas tinham atingido apareceram pequenos orifícios pretos. Ele não sangrou, e observei com horror como os buracos simplesmente fecharam-se.

Fuji pelo corredor perto de mim no meio da sala e olhei em volta com a minha lanterna. Sem saída. Senti meu coração bater mais rápido. Pisquei a lanterna e então percebi que não haviam janelas.
“Não. Não não não não não. Porra porra PORRA! “

Eu ouvi Ubloo se aproximar da porta pela outra sala. Corri para o canto e me virei para olhar.
Lentamente eu vi a tromba alcançar o marco da porta, e então sua cabeça apareceu, com aqueles olhos pretos horríveis me encarando, me encurralando no canto como um rato.

Eu alcancei o revólver e me encolhi contra a parede. Esse é o fim. Esse é o fim de Thomas Abian. O doutor gênio, Abian, quem foi confiado o salvamento de Andrew Jennings de todos aqueles dias anteriores.

Comecei a chorar.

“O fim é o início. “ Eu disse para mim mesmo enquanto chorava.

Ubloo entrou e estava lentamente rastejando até a sala na qual eu estava sentado.
O fim é o início. Que jeito estúpido de dizer isso. Eu balancei minha cabeça e lágrimas caíram em meu colo.

Eu podia ouvir Ubloo chegando mais perto agora.

“Irei virar outra pista de merda agora. “ Pensei para mim mesmo enquanto sentado ali, chorando como um bebê. E para falar a verdade eu esperava qu-

E então eu percebi tudo, a verdade doentia e horrível disso tudo.

O monstro não se alimenta do nosso desespero, da nossa tristeza, ele se alimenta de nossa esperança.
Ele nos mantém vivo o suficiente para pensarmos que conseguiremos, e então ele nos leva.

Os pisos em minha volta estralavam por causa do peso de Ubloo, enquanto ele chegava mais perto.
A esperança que Robert sentiu quando ele encontrou o livro, a esperança de Andrew quando eu dei para ele a Cyproheptadine, minha esperança quando encontrei o ritual e a nota sob o chão, a ilusão de Ubloo ser um espírito benevolente.

Mas o pior de tudo é que a maior esperança que vinha de nós, é a de que iríamos acordar.
Comecei a chorar mais enquanto tudo fazia sentido.

Era a maldição perfeita. Uma que ficava mais forte quanto mais você pensava que você podia derrota-la. O fim é o começo de tudo. O fim da minha vida era o começo de sua fome por alguém novo à maldição.

Eu abri meus olhos e encarei Ubloo. Sua cabeça estava a um pé de onde eu estava sentado. Ele sabia, de algum modo, que estava prestes a cumprir o motivo de sua vinda.

“Eu devo deixar ele me enterrar. “ Eu chorei enquanto eu levantava o revolver.

 Coloquei o cano frio na minha boca e senti meus dentes se entortarem.

Abri meus olhos o suficiente para ver sua tromba chegando mais e mais perto, para sentir o gatilho escorregar pelo meu dedo, e um clarão de luz preencher aquela escuridão e aquele quarto vazio. O meu último eco foi o pensamento de que uma pobre alma me encontraria ali.

Epílogo

Eu li em algum lugar que as luzes da polícia foram designadas para piscar de uma maneira que fizesse os olhos humanos incapazes de se acostumar a elas, então elas seriam constantemente perceptíveis. Estive testando essa teoria por quatro anos que eu estive na companhia e para ser honesto com você, acho que é verdade.

Tendo as luzes girando sem o som que sempre foi estranho para mim, mas dessa vez eu não quero acordar ninguém por nada. Mesmo assim, não haviam outros carros na estrada naquela hora e para ser honesto, as luzes nem mesmo eram necessárias.

Eu recebi um relato de barulhos altos e possivelmente disparos de arma na velha escola.

Provavelmente, um monte de adolescentes acendendo fogos e tentando ver fantasmas e aquela merda toda novamente.

Balancei minha cabeça.

Esperançosamente não são aquelas duas crianças estúpidas novamente, dizendo que precisam “investigar ”. Aqueles dois eram os piores. Os irmãos Westchester? Winchendon? Quem liga?!

Meu motor ronronou sob o capô do meu carro enquanto eu acelerava para onde a escola ficava.

Apaguei as luzes enquanto eu dobrava a esquina final e estacionava ali fora.  Abri a porta do meu carro e sai, inspecionando o portão com minha lanterna. Parecia estar aberta. Alguém deve ter esquecido de trancá-la. Eu balancei a cabeça novamente. É como se eles estivessem pedindo às pessoas para entrar aqui.

Fui até a porta e a abri. Eu confesso a você que eu nunca fui alguém que acreditou no paranormal, mas este lugar me deu arrepios. Eu andei até os degraus da frente em silêncio e ouvi. Não soou como se houvessem crianças lá. Eu fiquei ouvindo por mais dois ou três minutos, apenas para ter certeza, e então achei que eles deviam ter saído. Fui até uma das janelas e apontei a minha lanterna. Tudo parecia estar normal.

"Cabo 4 em expedição." Eu disse no meu rádio.

"Vá em frente do cabo 4." A voz respondeu.

Eu comecei a andar pelo perímetro do edifício à procura de sinais de entrada, jogando minha lanterna aqui e ali.

"Parece que quem estava na escola havia saído foi agora. Eu não consigo ouvir nada acontecendo lá dentro ".

"Roger, aqui é o cabo 4."

"Eu vou fazer uma varredura rápida para ver se há alguma coisa aqui. Qualquer coisa eu te falo. "

Eu andei em torno do perímetro do edifício, que levou bastante tempo desde o lugar é muito, muito grande. Esta não foi a primeira vez que eu tive que fazer isso. Este lugar chamava muita atenção, especialmente perto do Dia das Bruxas quando o mito local circularia mais uma vez, dizendo que este lugar era assombrado. Crianças. Mina nunca vai ficar assim, eu prometo.

Eu tinha começado a andar perto do quadro do horário escolar da porta da frente. Eu estava quase pronto para chamar Billy quando eu vi algo pela janela. Algo parecia... estranho. Como eu disse, eu tinha feito isso muitas vezes antes, então eu sabia que estava fora do lugar. Fui até a janela e joguei a minha luz.

O que eu vi me intrigou. Um dos quadros de porta estava todo preso para dentro e quebrado. Parecia que alguém tinha batido com uma marreta nos lados.

"Foda-se." Eu disse a mim mesmo em voz alta. "Carro 4 a expedição." Eu disse rapidamente no meu rádio.

"Vá em frente cabo 4."

"Parece que quem estava aqui danificou o edifício. Vou ver se eu posso entrar e visualizar. Solicitando cópia de segurança. "

"Roger, aqui é o Cabo 4. Cabo 2 proceda à até o local do carro e ajude-o."

"Roger." Bill disse através do rádio. "Eu estou há cerca de cinco minutos de distância do carro 4. Faça o procedimento agora."

"Entendido. Entendido. "Eu disse me afastando.

Corri de volta para os degraus da frente e tirei minha arma do coldre. Não tenho certeza se era o instinto que eu ganhei pelos dois turnos no Iraque ou apenas a forma estranha que o marco da porta ficou preso, mas algo não estava certo ali. Eu lentamente fiz meu caminho até a porta da frente e tentei a maçaneta. Para minha surpresa, ela girou.

A porta se abriu suavemente e silenciosamente. Ergui a lanterna sob a minha pistola e examinei o saguão. Nada de realmente errado aqui. Comecei a andar pelo corredor, para a direita, em direção ao canto de trás do edifício, onde o marco da porta estava preso.

Eu estava no meio do corredor quando eu percebi que era impossível andar sem ranger as tábuas do assoalho. Eu estava ansioso e acelerei meu ritmo um pouco.

A estrutura da porta que ficou presa estava muito danificada.

Parecia que quem fez isso foi até o quarto e a forçou em direção ao corredor. Fui até o quarto e não tinha muito o que olhar antes de eu ver o buraco no chão. Parecia que quatro ou cinco tábuas tinham sido forçadas para cima.

Lentamente fui até o buraco e joguei minha luz através dele. Havia algo lá embaixo, eu apenas não poderia fazer nada. Agachei-me em meus calcanhares e olhei por alguns segundos antes que eu percebesse.

Eram ossos.

Eu joguei minha luz mais em volta. Tinha uma tonelada de ossos. Até aí tudo bem, pois eu não estava com medo ... até que eu notei a pintura.

Os ossos estavam meio que em forma de pilha, mas todos formando esses desenhos estranhos. Parecia um cruzamento entre árabe e mandarim.

Eu senti os calafrios e depois apertei o botão para falar no meu rádio.

"Cabo 4 ao 2, qual é a sua situação?"

"Cerca de dois minutos de distância do Cabo 4."

"Roger, vá apoiá-la."

Levantei-me e inspecionei o quarto um pouco mais de perto. Os pisos com os pregos arrancados.

Quem fez isso sabia para onde olhar. Alguns deles estavam quebrados, no entanto, pois a pessoa deve ter feito isso tudo com pressa, freneticamente, quase como se-

"Puta que pariu, cara." Eu disse sob a minha respiração.

Eu segui o que eu vi no chão com a minha lanterna.

Por todo o chão estavam sulcos profundos e arranhões. Eu os olhei mais de perto. Parecia que tinha dois pés, mas só deixou dois arranhões a cada passo.

Arrepios percorreram minha espinha. Isso definitivamente não estava certo. Algo aqui não está certo.

Levantei-me e segui as marcas de arranhões por fora da porta e no corredor. Eles levavam a uma curva à direita, onde parecia que algo tinha esmagado no canto. Esses arranhões levavam a um corredor e então a uma sala à esquerda. Eu reduzi a minha abordagem quando eu notei que este marco da porta havia ficado muito bem preso, mas desta vez ele foi preso do corredor para o quarto.

Enquanto eu estava ali inspecionando o quadro ouvi algo. Um gotejamento fraco, como uma torneira pingando... pingando em um prato molhado.

Pode haver alguém aqui.

Engoli em seco e, em seguida, virei a esquina, jogando minha lanterna para onde quer que eu apontei minha arma. Então eu vi.

Lá, contraído contra a parede, era o que restava de um ser humano.

Eu joguei minha luz em suas mãos e vi o revólver. Suicídio.

Lentamente, aproximei-me do corpo. Parecia que quem quer que fosse tinha um enorme saco com ele, com o que parecia ferramentas dentro dela. Eu acho que eu sei agora quem arrancou as tábuas do assoalho.

Ouvi a porta bater enquanto Bill fechou por dentro.

Era estranho. Eu havia encontrado vítimas de suicídio antes, já vi um monte de cadáveres, mas eu senti algum tipo de conexão com este. Algo que eu não poderia tocar.

Ouvi passos pesados de Bill quando ele saltou para o saguão.

"... Jeff?" Eu o ouvi chamar nervosamente.

"Volta aqui Bill." Eu gritei de volta.

Ouvi seus passos pesados , se desviando, fazendo o seu caminho de volta para onde eu estava, e o ouvi, ofegante, antes mesmo dele entrar na sala. Pobre Bill. O cara não poderia executar umas coisas dessas sem perder o fôlego.

"Oh, porra, Jeff." Ele disse que quando viu o corpo.

"Sim, Bill, meu velho amigo." Eu disse, olhando para o corpo. " O cara quebrou as tábuas do assoalho no outro quarto por qualquer motivo e, em seguida, veio aqui e explodiu seu cérebro."

Bill ficou em silêncio por um momento. Alguns policiais absorvem isso tudo mais rápido do que outros. Em termos entre Bill e eu, vamos apenas dizer que eu estava jogando xadrez e ele estava jogando damas.

"Bem, eu vou chamar a funerária. Eles devem ter uma equipe forense aqui ago- "

Um ruído interrompeu Bill.

Era um telefone. Era o telefone dele. O telefone do homem morto.

Me disseram que você nunca pode contaminar a cena do crime, para nunca tocar em nada até a equipe forense chegar lá. Eu nunca tinha quebrado as regras antes no trabalho. Droga, se bem que eu nunca sequer usava o maldito uniforme, sem ter certeza de que ele estava limpo todas as manhãs, mas algo dentro de mim, algo no fundo da minha mente me disse que eu tinha que atender o telefone.

Agachei-me para baixo e enfiei a mão no bolso onde ele estava tocando.

"Jeff! O que você está fazendo não podemos -! "

"Ah, foda-se, Bill." Eu falei quando eu finalmente consegui soltar o telefone.

Eu olhei para a tela frontal. Havia apenas um primeiro nome de quem estava ligando. "Eli."

Eu pressionei “atender” e levei o telefone até meu ouvido, mas não disse nada.

Houve uma curta pausa, e então:

"Olá? Doutor?"

"Este é o policial Jeff Danvers da força policial Tawson."

Houve uma pausa, desta vez um pouco maior.

"Onde você encontrou este telefone?"

Quem quer que Eli seja, ele não era estúpido.

"Eu o encontrei no bolso de um corpo, na cena do crime. Sinto muito, mas acho que este doutor que você está tentando alcançar já bateu as botas. "

Houve outra pausa, e eu comecei a me sentir desconfortável. Foda-se, o que eu estava pensando quando respondi a esta chamada?

"Sinto muito, senhor." Eu disse novamente.

"Foi você quem o encontrou?" Ele perguntou.

Eu estava um pouco surpreso com essa pergunta.

"Encontrei?", eu respondi.

"Sim. Foi você quem primeiro encontrou o corpo? ” Ele perguntou de novo, soando um pouco mais preocupado neste momento.

"Sim senhor. Eu encontrei o corpo apenas cerca de cinco minutos ag- "

O que eu ouvi seguinte, embora eu não sabia até então, iria mudar a minha vida para sempre.

"Bom Jesus ... Sinto pena de você, rapaz." É tudo que eu ouvi o homem dizer antes da ligação cair.

Fim?!

Créditos à DifferentWind.
Versão final: Creepypasta.com



05/02/16

O homem de Taured




Em um belo dia (não especificado) do mês de Julho de 1954 um homem chegou ao aeroporto de Tóquio, no Japão. Era um homem branco que ficou junto com outros passageiros em uma fila aguardando seus vistos e verificação de documentos. Quando foram ver o passaporte do homem, constataram que o documento estava dentro dos conformes, exceto por um detalhe: Lá dizia que o homem está vindo de um país chamado Taured. Esse país não existia na época nem nunca existiu. 

O homem falava diversas línguas, incluindo o Japonês, apesar de afirmar que sua língua nativa era Francês. Com ele foi encontrado carteira de motorista do seu país e também uma carteira de motorista internacional (mas foi dada como invalida). Portava também cheques de um banco desconhecido, diversas moedas e notas de diferentes lugares da Europa, e em seu passaporte havia diversos carimbos de viagens por todos lugares do mundo, inclusive já havia visitado Tóquio anteriormente mais de uma vez. 

Quando foi mostrado um mapa ao homem e pedido que ele apontasse para aonde seu país supostamente ficava, apontou onde atualmente fica o Principado de Andorra, um pequeno país europeu que fica mais ou menos entre o nordeste da Espanha e o sudoeste da França. Mas o homem começou a ficar confuso e muito irritado. Ele nunca ouviu falar de Andorra e não entende porque seu país não está naquele mapa. Ele afirma que seu país existe a mais de mil anos! Nervoso, começou a exigir falar com superiores, acreditando estar participando de uma piada de muito mal gosto. 

Sem saber o que fazer com o cara, as autoridades levaram ele para um quarto de hotel e colocaram dois guardas para tomarem conta da porta e não deixá-lo sair dali até resolverem aquele mistério. O homem pediu comida no hotel e depois de comer foi dormir, afinal já havia ficado confinado no aeroporto por mais de 8 horas. Os guardas não ouviram mais nada vindo do quarto depois disso.

A companhia a qual ele falou que trabalhava falou nunca ter contratado aquele homem ou se quer saber da sua existência, porém o homem tinha diversos documentos que provavam o contrario. O hotel que ele disse ter reservado um quarto relatou que jamais havia recebido ou reservado um quarto para ele. A empresa da qual ele falou que estava indo encontrar a trabalho? Isso mesmo, jamais ouviram falar do tal carinha.

Na manhã seguinte quando os policias foram para o quarto de hotel onde ele estava para que fosse interrogado mais uma vez, o homem havia desaparecido. Os guardas dizem não ter saído da porta nem por um segundo. O quarto estava muitos andares do térreo, impossível que tivesse saído pela janela. Também não havia sacada ou escadas de incêndio que ele pudesse descer. 

Ele nunca mais foi visto. 


04/02/16

Compilação de Lendas Urbanas - Parte 1

Olá, pessoal! Esta é a primeira parte da compilação de Lendas Urbanas que encontrei no reddit. Deem o feedback de vocês, porque, caso gostem, haverá mais compilações!
Os nomes em negrito são dos usuários que enviaram a lenda urbana logo abaixo.

                                                                                                                                                                   

Existentialadvisor:

Eu vivo na cidade de Yonkers, em Nova Yorque. O Filho de Sam morava aqui e foi supostamente pego em um culto de adoração ao demônio que ocorria em um parque aqui perto. Dizem que o Filho de Sam levou a culpa pelo culto que estava envolvido nos assassinatos. Diz-se que também havia políticos e policiais no culto, e eles precisavam de cobertura.

Dr_King_Schults:

A algumas cidades da que moro, há uma Aldeia de Anões. Há um lugar na floresta com várias casas em miniatura feitas de pedra. A história é que havia um homem que enlouqueceu e matou sua família e fez todas essas casas para as vozes em sua cabeça. Também há um trono, e dizem que se você sentar nele, você morrerá em 7 anos.
As pessoas normalmente vão lá para beber, usar drogas e transar.

NoseDragon:

Os albinos de Hicks Road, San Jose, Califórnia.

Há uma comunidade de albinos que vive lá. O sol machuca a pele deles, então eles só saem durante a noite. Quando você dirige pela estrada, a luz do seu carro também machuca a pele deles, então eles se escondem atrás das árvores. Eles então perseguem o seu carro. Há sempre uma van branca estacionada na estrada, e o motorista irá tentar te chamar para ajudá-lo a consertar o carro apenas para te sequestrar, te estuprar, te matar, etc.

Mjyates:

Na vila onde cresci (nos anos 90), havia um cara estranho que costumava andar de bicicleta por lá. Pelo o que me lembro, ele tinha 30 anos e vestia calças jeans um pouco sujas e um colete de couro sobre uma camiseta suja. Ele parecia ser daqueles caras que causam problema, mas ninguém nunca o viu andando, muito menos falando com qualquer pessoa ou aprontando alguma coisa, ele estava sempre andando de bicicleta.
Ele era conhecido, tanto pelos adultos como pelas crianças, como “Herbie O Matador de Gato”, e a história era de que ele roubava seus gatos de estimação e os torturava até a morte. Ele também usava um colar no qual havia um dente de gato pendurado (essa era a evidência de que a história era “verdade”, embora eu pense que ele queria parecer mais com o estilo do Crocodilo Dundee, o dente provavelmente não era felino.)
Alguns anos depois, algo terrível aconteceu na vila e isso revelaria o verdadeiro motivo de Herbie andar de bicicleta o tempo todo. Uma garota de 16 anos que estudava em minha escola foi assassinada (foi horrível de verdade), e durante os primeiros dias da investigação, Herbie desapareceu. Naturalmente, as pessoas suspeitaram, mas logo em seguida o cara que havia cometido o assassinato foi encontrado e Herbie voltou aos seus antigos hábitos.
De qualquer forma, tudo foi revelado depois disso (polícia indiscreta + rumores da vila). Descobrimos que Herbie, na verdade, andava de bicicleta para verificar quando as famílias estavam viajando de férias. Ele avisava aos ciganos locais (havia milhares de campos ali perto), e então eles entravam nas garagens e roubavam ferramentas, motocicletas e outras coisas, dando parte dos lucros a ele.

SqoishMaloish:
Provavelmente o Triclope. Ele era um tipo de homem mutante criando em um laboratório durante a Segunda Guerra Mundial (?). O Triclope tem mais ou menos dois metros de altura, é prateado, incrivelmente forte, noturno e vive nas catacumbas. Ele come galinhas e outros animais pequenos, às vezes restos de suas refeições podem ser vistos perto de várias entradas à sua propriedade subterrânea.

Breadstick13:

Um tipo de lenda urbana de onde moro...
Lansingburgh, Nova York (O Antigo Colégio)
A lenda é que no começo dos anos 90, uma professora enlouqueceu e assassinou quantos estudantes ela podia com um machado na sala 243. A sala é mal-assombrada durante a noite pelo fantasma da professora, que grita furiosamente e agita o seu machado ensanguentado, e pelos estudantes correndo e gritando em pânico.

Sta1994:

A ilha de Hilton Head.

Há um farol abandonado em um canto da ilha. Ele foi abandonado porque há muitos anos uma escrava se enforcou lá, e após isso coisas muito estranhas começaram a acontecer. Com isso, as pessoas começaram a abandonar o farol. Se você for lá à noite, você verá a sombra de uma figura enforcada balançando na luz e também ouvirá a risada dela.

Cliffkleven:

Há uma fazenda histórica perto de minha cidade natal, onde corre o boato de que o proprietário cometeu um assassinato. Acredita-se que ele era um homem muito respeitado que atuava como ministro local. Uma vez ele contou à congregação que era melhor ele pregar às pedras, e então colocou um punhado de pedras nos bancos e começou a pregar a elas.
Sobre o assassinato: Diz-se que ele engravidou a própria filha. Ele ficou tão bravo com isso que após o nascimento da criança, matou o bebê e sua filha no porão. Uma amiga minha jura que quando era mais nova conversou com o fantasma da garota.


03/02/16

Os 1% Parte 10: Piotr

// PARTE 1 // PARTE 2 // PARTE 3 // PARTE 4 // PARTE 5 // PARTE 6 // PARTE 7 // PARTE 8 // PARTE 9


Piotr não tirava os olhos de seu tio, Otto. Otto estava acorrentado com suas mãos juntas atrás da cabeça, uma enorme tranca pendurada em seu pescoço. Seus olhos estavam levemente esbugalhados e a saliva fazia uma pequena poça no canto de sua boca. Suava absurdamente, criando círculos amarelados em sua camisa branca.

A esposa de Otto, Merle, estava sentada de frente para ele na sala de jantar. Suas mãos tinham sido pregadas na mesa com longos pregos de caixão. O sangue havia escorrido até o chão e já estava seco. Estava cansada demais para se mover, mas sua mandíbula tremia como o cabo de um teleférico.

Piotr estava sentado na ponta da mesa. Estava vestido com o melhor terno do seu tio. Palitou seus dentes enquanto observava seu tio dos pés a cabeça.

Otto piscou, fazendo com que as lágrimas corressem. "Por favor, Piotr..."

"Você não falará meu nome." Piotr estreitou seus olhos. Falava grossamente em Polonês. Os anos morando no Estados Unidos não o serviram muito para aprender inglês. Até tentou aprender, mas nenhum dos outros Judeus queriam o auxiliar no aprendizado. Deus sabe que Otto não teria o ajudado. O melhor que fez foi oferecer a ele um chão para dormir e migalhas para comer.

"O que ele falou?" Merle perguntou para seu esposo em Inglês. Era uma americana que tinha sido rejeitada por dormir com um estrangeiro. Sua família tinha a deserdado quando engravidou. Mas Otto não era tão ruim assim. Claro, era feio. Fedia a cebolas e seu sotaque era bem carregado. Mas era dono de uma lavanderia e conseguia pagar as contas. Merle podia ter parado em lugar pior.

Piotr direcionou lentamente seus olhos em direção a mulher. "Otto, fale para a porca da sua mulher ficar calda ou acabo com a vida dela agora mesmo."

Otto retorceu o rosto e repassou a mensagem para a mulher que puxou ar para os pulmões e não falou mais nada. O apartamento fedia a fezes e sangue. O casal já estava sob o domínio de Piotr por quase um dia. Algo dentro dele tinha estalado. Não aguentava mais ser tratado como um cachorro doente. Os outros sobreviventes eram tratados como heróis. Como realeza. Por que ele não recebia o mesmo tratamento?

Piotr coçou os números tatuados no seu antebraço. Na verdade não estavam coçando - era apenas um hábito. Já tinha aquela tatuagem a quase dois anos. Os números mal rabiscados era uma definição para ele, assim como para todos os outros sobreviventes. Mas havia algo diferente sobre Piotr, e todos sabiam. 

"Precisamos comer," Otto implorou. "E o bebê está faminto. Por favor, só preciso que-"

"Cale a boca." Piotr se levantou, jogando a cadeira para trás. Aterrizou no chão com um estrondo. "Eu tomarei conta da criança."

Piotr tinha cuidado de bastantes crianças no campo de concentração. Claro, crianças eram raramente poupadas. Geralmente eram mortas imediatamente. Ele lembra de ver o trem chegando, carregando apenas meninos e meninas como passageiros. Os mais velhos não tinham mais que onze. Todos foram mortos nas câmaras de gás.

As únicas crianças que eram permitidas nos campos eram as especiais.

Piotr afastou os cabelos do rosto. O ar parado do aposento se tornara opressivo. A verdade era que não tinha pensado no desenrolar de tudo aquilo. Não foi algo planejado. Otto tinha zombado da pele calejada de Piotr e o chamou de vira-lata. Disse que quem devia ter sobrevivido era o irmão dele. Foi isso que o fez surtar. Pegou a faca de cozinha mais próxima e enfiou no braço de Otto. Otto gritou, apertando a ferida. Então Piotr pegou uma pesada tábua de madeira da cozinha e bateu com força no topo da cabeça de Otto. Otto caiu como uma árvore no meio da floresta.

Merle logo veio correndo, apenas para receber um tapa no rosto com uma frigideira de metal. Piotr ouviu o barulho do nariz dela quebrando antes mesmo de cair. Os dois corpos ficaram no chão. Piotr respirava pesadamente, mas se sentia aliviado.

Ele os amarrou antes que voltassem a vida. Para Otto, usou uma corrente de bicicleta e um cadeado. Também quebrou ambas as pernas, com ajuda de um rolo de madeira e uma panela de ferro. Para Merle, pregou as duas mãos dela na mesa de jantar e deslocou os joelhos. Ele demorou um tempo para fazer essas tarefas. Era a primeira vez que tocava em outro corpo humano desde que deixara o campo de concentração.

Quando o casal acordou, gastaram bastante tempo apenas gritando de dor. Piotr passou esse tempo com o filho recém-nascido do casal. Embalava o menino calmamente. O bebê segurou o dedão de Piotr, que ainda estava ensanguentado. 

Mas agora Piotr precisava tomar algumas decisões.

Otto mordeu o lábio de tanta dor. "Piotr, esse não é o seu eu verdadeiro. Esse é o seu eu do campo. Você não é assim."

"Você não faz ideia de quem eu sou verdadeiramente."

Piotr lembrava do dia em que ele e seu irmão chegaram no campo. Sua mãe, pai e irmã mais nova também estavam lá. Tinham sido espremidos dentro de um trem. Ninguém falava para onde estavam indo. Era apenas um emaranhado de gente, todos usando estrelas amarelas.

Quando chegaram no campo, os soldados estavam dividindo-os em grupos. Pessoas com "corpos capacitados" eram colocados em um setor. Crianças, idosos, pessoas com deficiência, e quaisquer outras pessoas que os soldados não fossem com a cara, eram colocados em outro setor.

Piotr e seu irmão tinham treze anos. Não tinham idade suficiente para serem colocados com os trabalhadores. Acharam que seria levados para ficar com os idosos e sua irmã mais nova. Mas um soldado os parou. Olhou os dois dos pés a cabeça e um sorriso foi aparecendo lentamente em seu rosto alemão.

"Vocês são gêmeos?"

Piotr falou algo em alemão e acenou com a cabeça rapidamente. Ele e seu irmão eram gêmeos idênticos.

O soldado direcionou os dois para outro setor do campo. A mãe deles chorou e gritou por eles, mas outros soldados mantinham-a afastada. Os meninos olharam pra trás para ver sua família sendo escoltadas em direção da floresta. Ficaram olhando para trás por tanto tempo que quase esbarraram em um homem usando um uniforme especial. O mesmo olhou para os dois e riu. 

"São perfeitos! Levarei os dois."

"Sim, Dr. Mengele." O soldado empurrou os meninos e eles caíram, os dois ralando um dos joelhos. Essa foi a menor quantidade de dor que sentiram nos sete meses seguintes. 

O jeito que Otto olhava para Piotr devia ser parecido com o jeito que as vitimas de Mengele olhavam para ele. Piotr tinha dado aquele olhar muitas vezes. Lembrava de ter sido submetido a uma variedade imensa de experimentos. Um dos piores que conseguia lembrar era o de ter água fervente derramada no canal do ouvido. Era muito mais do que dor física - era o som da água ecoando em seu crânio. O som durou muito tempo, até depois de ter saído do laboratório de Mengele.

Mas Piotr tinha sofrido pouco comparado com seu irmão. Piotr não entendia o por quê. Qual era o motivo de ter sido menos torturado? Seu irmão que tinha sido quase dilacerado. Seus olhos tinham sido removidos para estudo. Um rim também. Ambos eram medidos e documentados diariamente, mas seu irmão sempre sofria mais. O sangue dele era drenado diariamente. Era deixado tão fraco que mal conseguia ficar de pé. O irmão de Piotr era muito tormentado, e na maioria das vezes, Mengele obrigava Piotr a assistir aquilo.

A maioria das crianças que presenciassem aquelas torturas lembraria somente da dor. A dor no próprio corpo e ador estampada no rosto do irmão. Mas Piotr começou a notar outra coisa.

O poder.

Mengele era um Deus enquanto fatiava seja lá quem fosse. Controlava cada um de seus pacientes. Se Piotr se recusasse a participar de qualquer um dos experimentos, Mengele o mandaria para a morte sem nenhum problema. O poder era esmagador. 

Piotr sentia aquele poder enquanto observava o casal na sala de jantar. Ele passeou por volta da mesa. Otto e Merle se sentiam desamparados. Ele pigarreou. "Sabe o que Mengele falou para mim na última vez que o vi?"

Otto começou a tremer. Merle olhou confusa para ele, não entendendo o polonês de Piotr. Otto apenas balançou a cabeça em direção dela. Piotr deu com os punhos na mesa e os dois olharam para ele.

"Disse que a perfeição era possível. Mas que é preciso de homens dedicados para isso."

Foi logo após ouvir isso que Piotr viu seu irmão morrer em uma cama fria de metal. A falta de sangue e as constantes infecções nos beliches dos setores tinham levado o melhor dele. Morreu diante dos olhos de Piotr. Seu irmão gêmeo. Seu único amigo.

"Como era o nome do seu irmão?" Mengele perguntou.

"Allen."

"Allen deu a vida por uma causa maior. A busca da perfeição. Existem pouquíssimas pessoas que podemos dizer que morreram em busca da perfeição. Uma porcentagem mínima." Mengele acenou para Piotr e o menino foi levado embora.

Mas aquelas palavras... Elas gritavam dentro do seu crânio. Por sete meses tinha feito parte de algo maior do que ele. Tinha visto o que a busca da perfeição podia fazer. E Allen... ele era o verdadeiro herói. Se Allen estivesse vivo até hoje, os outros judeus falariam com ele. O ajudariam a aprender inglês. Porque ele era perfeito.

Piotr respirou fundo. Uma onda de calmaria tomou conta do corpo dele. Até o bebê parou de chorar. Agora ele sabia o que tinha que fazer.

Pegou uma faca de cozinha e segurou com força. Ficou de pé atrás de Merle, que estava balbuciando em inglês para que não a machucasse. Sem hesitar começou a esculpir no pescoço dela. Ela gritou, mas não conseguia se mexer. Ele usou a faca para esculpir um grande "1" no pescoço dela. A pele tinha sido retirada para deixar um "1" sangrento lá. Como no campo Piotr tinha recebido números, seus projetos também os teriam. Já tinha diversos projetos em mente, assim como Mengele.

Foi em direção a Otto enquanto o mesmo gritava. "Pare! Pare, Piotr!"

Ele cravou no pescoço de seu tio com a mesma força, esculpindo um "2". O casal chorava de dor. O sangue escorria pelos ombros, ensanguentando as roupas.

Piotr foi no outro quarto e trouxe o bebê. O menino piscou e começou a rir. Piotr sorriu e começou a rir também. 

Piotr parou de usar seu nome de batismo e começou a usar um novo - Allen. Ele deu o mesmo nome para seu novo filho. Falou para seus vizinhos que havia fugido de Auschwitz e dado um jeito de entrar nos EUA. Usava camisetas de manga longa para cobrir suas tatuagens. Desde o estranho desaparecimento de seus tio e seu irmão, ele tomou conta da lavandeira. Até que era um negócio lucrativo, e logo pode se mudar do pequeno apartamento no gueto para uma casa mais decente. Uma casa com porão a prova de som. 


(EM BREVE: OS 1% PARTE 11: #1101)

Por: EZmisery